- O texto discute o livro After the Fall, de Ian Shapiro, que argumenta que a ordem liberal democrática internacional depende de prosperidade ampla e distribuição de riqueza.
- Shapiro aponta cinco decisões americanas entre 1993 e 2020 que, na visão dele, fragilizaram essa ordem: expansão da OTAN, intervenções no Afeganistão e no Iraque sem coalizão ampla, resgates bancários de 2008 e ataques à Líbia, além de tarifas altas na era Trump.
- O artigo destaca o surgimento de um sentimento de zero-sum entre trabalhadores nos Estados Unidos, contrapondo a visão de soma positiva defendida pela ordem de livre comércio que surgiu após a Segunda Guerra.
- O autor traz números para sustentar a ideia de mínimo necessário de PIB per capita para sustentar democracia liberal, estimando cerca de US$ 18.200, com destaque para exceções como Cingapura e Qatar, e comparando com o EUA, em torno de US$ 90 mil.
- Além da análise econômica, o texto aponta que valores religiosos também podem sustentar a democracia; em especial, sugerem que promessas e um ethos de amor ao próximo ajudam a conter o dualismo zero-sum, independentemente de políticas.
Ian Shapiro apresenta em After the Fall uma leitura sobre o declínio da ordem liberal democrática após o fim da Guerra Fria. O livro analisa por que a vitória ideológica parecia certa, mas não se materializou no mundo material.
O autor, professor de ciência política e assuntos globais de Yale, identifica cinco decisões norte-americanas entre 1993 e 2020 que, segundo ele, enfraqueceram a ordem liberal internacional.
Shapiro reconstitui os fatos ao longo de décadas, partindo do fim da Guerra Fria até os dias atuais, mostrando como as escolhas dos EUA impactaram o equilíbrio entre democracia, livre mercado e instituições internacionais.
Contexto histórico
A queda do Muro de Berlin em 1989 elevou expectativas de hegemonia da democracia liberal, conforme faziam análises como as de Fukuyama. O debate colocou a democracia como formadora do mundo futuro.
Mesmo diante de avanços, o autor sustenta que a democracia liberal está mais enfraquecida hoje do que no fim dos anos 80 e no início dos 90.
Cinco políticas sob escrutínio
Entre 1993 e 2020, Shapiro aponta decisões que teriam minado a ordem liberal: expansão da OTAN, no governo Clinton; esforços unilaterais no Afeganistão e no Iraque sob Bush; resgates bancários sob Obama; intervenção na Líbia com ataque a um chefe de Estado; tarifas altas e guerras comerciais sob Trump.
Essas escolhas, segundo o autor, nasceram de uma leitura de mundo que privilegia ganhos nacionais sobre cooperação internacional.
Perspectiva econômica e social
Para Shapiro, a ordem liberal depende de boa vontade entre nações, prosperidade ampla e distribuição de riqueza.Quando a população enfrenta pobreza, a confiança internacional diminui.
Ele sustenta que a democracia liberal precisa oferecer oportunidades econômicas para sustentar direitos de minorias e instituições internacionais, sob pena de atrair retórica de zero-sum.
visão religiosa e atuação prática
O texto aponta que valores religiosos podem apoiar uma prática social de generosidade e justiça, independentemente de políticas públicas. Crentes podem fortalecer comunidades com o legado de solidariedade cristã.
Shapiro não defende redistribuição forçada, mas propostas de instituições que assegurem oportunidades iguais para todos buscam preservar a democracia.
Implicações para o futuro
Segundo o autor, é necessário ampliar oportunidades econômicas para evitar a atração por políticas de soma zero. A defesa da democracia passa pela combinação de políticas públicas e valores comunitários.
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