- Bamako e Kati apresentam calma frágil na manhã desta segunda-feira, após dois dias de combates entre o Exército e a Frente de Libertação de Azawad e grupos jihadistas.
- O ministro da Defesa, Sadio Camara, morreu em ataque; o general Assimi Goita, líder da junta, não foi visto nem se pronunciou desde o início dos confrontos.
- Rebeldes da FLA e o GAIM atacaram sete cidades, atacando posições estratégicas da junta ao longo do fim de semana.
- Em Kidal, o GAIM e a FLA mantêm controle; mercenários russos do Afrika Korps e o Exército do Mali deixaram a cidade em direção a Gao, em movimento considerado pela junta como reposicionamento.
- A Coalizão de Forças para a República, oposição ao governo malinês, exige renúncia da junta e início imediato de transição civil, enquanto alerta para o risco que o Mali enfrenta.
Após o fim de semana de confrontos, Bamako e Kati registraram calma frágil na manhã desta segunda-feira (27/4). O combate envolveu o Exército malinês, a Frente de Libertação de Azawad (FLA) e o GAIM, grupo jihadista afiliado à Al-Qaeda. O movimento deixou cenas de destruição nas ruas.
O ministro da Defesa, Sadio Camara, morreu em ataque durante os ataques coordenados. O general Assimi Goita, chefe da junta militar que comanda o Mali, não apareceu publicamente desde o início dos confrontos. A situação gerou incerteza sobre o comando do país.
No fim de semana, ataques atingiram sete cidades, com ações diversas contra posições da junta. Kati, reduto militar próximo de Bamako, foi fortemente afetada, e a residência de Camara foi alvo de ataque suicida. Destroços e marcas de tiros permaneceram nas vias.
A junta confirmou a morte de Camara na noite de domingo. Embora haja trégua parcial, peritos observam danos significativos em áreas urbanas e militares.
Desdobramentos
Na região do aeroporto de Sénou, a circulação de aviões militares voltou a ocorrer, com operações limitadas. Oficiais locais afirmam que varreduras noturnas reduziram a pressão nos postos de controle, e pedem colaboração da população para identificar suspeitos.
Kidal, no norte, permanece sob controle relativo de GAIM e FLA. Segundo relatos, mercenários russos do Afrika Korps e o Exército do Mali deixaram a cidade em direção a Gao, acompanhando autoridades civis. A junta descreve o movimento como reposicionamento.
Contexto político
A oposição no exílio, representada pela Coalizão de Forças para a República, exige a renúncia da junta e o início imediato de uma transição civil. Em comunicado, a coalizão acusa o regime de falhas de segurança e alerta para o perigo que, segundo eles, o Mali enfrenta.
Especialistas apontam que a parceria entre rebeldes do norte e jihadistas pode indicar novos cenários na região. O GAIM, conhecido como JNIM, almeja implementação de leis islâmicas em África Ocidental, enquanto os rebeldes buscam autonomia regional.
O Mali enfrenta violência ligada a insurgências desde 2012. A junta chegou ao poder em 2020, desencadeando uma complexa disputa política e militar na região. Autoridades locais e analistas aguardam desdobramentos com cautela.
Entre na conversa da comunidade