- Polícia Civil investiga infiltração do PCC em prefeituras de São Paulo; quatro pessoas foram presas e 22 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em sete cidades do estado, além de atuar em Goiás, Paraná e Brasília.
- A investigação aponta que o PCC tentou lançar candidatos nas eleições municipais de dois mil e vinte e quatro para ajudar a organização criminosa.
- Entre os presos está Thiago Rocha de Paula, ex-vereador de Santo André, considerado ligado a um chefe do PCC na região; a operação cumpriu mandados em apartamento do político.
- A Justiça bloqueou mais de meio bilhão de reais em contas e bens derivados das investigações; itens apreendidos incluem celulares, notebooks, documentos e carros.
- O inquérito associa o PCC ao 4TBank, financeira investigada por lavagem de dinheiro; a polícia afirma que Thiago Rocha de Paula autorizou pouso de helicóptero no Palácio dos Bandeirantes em 2022 para um jogo, supostamente fingindo uma delegação japonesa.
A Polícia Civil investiga a possível infiltração do PCC em prefeituras de São Paulo. Quatro pessoas foram presas nesta segunda-feira (27) durante a operação, que cumpriu 4 mandados de prisão e 22 de busca e apreensão em sete cidades do estado, além de pontos em Goiás, Paraná e Brasília.
A investigação aponta a criação de um núcleo político dentro da facção para atuar junto a prefeituras e influenciar decisões administrativas. Segundo a Polícia Civil, o PCC tentou lançar candidatos nas eleições municipais de 2024 com o objetivo de favorecer a organização criminosa.
A ação teve início antes do amanhecer, com buscas no apartamento de Thiago Rocha de Paula, ex-vereador de Santo André, eleito suplente pelo PSD. Rocha de Paula é apontado como ligado a um chefe do PCC na região e teve papel na operação que autorizou um pouso de helicóptero no Palácio dos Bandeirantes, em 2022.
Operação e alvos
A investigação também envolve o 4TBank, financeira indicada como ligada ao PCC para lavagem de dinheiro e financiamento do tráfico. A Justiça bloqueou mais de R$ 500 milhões em contas e bens vinculados às pessoas e às empresas sob suspeita.
Entre os presos está João Gabriel de Melo Yamawaki, operador do 4TBank, que já estava preso desde março de 2026 por tráfico de drogas. A polícia afirmou que Yamawaki era responsável por ocultar recursos do PCC por meio do sistema financeiro.
A polícia descreveu que a rede contava com contatos na administração municipal, no secretariado e em vínculos com gestores para influenciar decisões públicas e facilitar o desvio de recursos. A investigação busca mapear até onde a infiltração chegou e proteger o Estado brasileiro da presença criminosa.
De acordo com o delegado Fabrício Intelizano, da Delegacia de Entorpecentes de Mogi das Cruzes, a rede utilizava estruturas administrativas para lavar dinheiro dentro das próprias prefeituras, o que inclui o uso de bancos para recebimento de tributos em determinadas cidades. Intelizano ressaltou que a apuração segue para confirmar o alcance da infiltração.
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