- O conselheiro Rodrigo Badaró, do CNJ, votou pela prorrogação por 140 dias do PAD contra a juíza Gabriela Hardt.
- Hardt está no foco de apuração há quase dois anos, referente a irregularidades na condução de acordo envolvendo a Petrobras e a Fundação Lava Jato.
- A investigação investiga indícios de recirculação de valores e possíveis vícios na decisão da magistrada ao homologar o acordo.
- More de R$ 2,1 bilhões foram depositados à Petrobras em razão de acordos de colaboração premiada e de leniência, com parte dos recursos supostamente sob gestão da fundação privada citada.
- O processo tramita sob sigilo; o adiamento de 140 dias acontece no plenário virtual do CNJ, com 12 conselheiros ainda por se manifestar até 5 de maio.
O CNJ avalia prorrogar o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra a juíza Gabriela Hardt por mais 140 dias. A avaliação ocorre no plenário virtual, com relatoria do conselheiro Rodrigo Badaró. A expressão de apoio à prorrogação foi anunciada na sexta-feira (24.abr.2026). Hardt atua, ou atuou, como magistrada substituta na 13ª Vara Federal de Curitiba, ligada aos casos da operação Lava Jato.
A investigação, que está sob sigilo, questiona irregularidades na condução de um acordo envolvendo a Petrobras e a chamada Fundação Lava Jato. A apuração visa identificar indícios de recirculação de valores e possíveis vícios na homologação desse acordo pela magistrada. Os autos indicam que mais de R$ 2,1 bilhões foram depositados em razão de acordos de colaboração premiada e de leniência.
Segundo o caso, parte dos recursos deveria permanecer no Brasil, sob gestão de uma fundação privada. A Petrobras assinou acordo de não persecução que previa multas com base nesses recursos. O Supremo Tribunal Federal definiu, em 2019, que a 13ª Vara Federal não tinha competência para julgar o acordo, e os recursos foram direcionados ao Tesouro Nacional.
O Conselho Nacional de Justiça decidiu, por maioria, abrir a apuração em junho de 2024. A meta é verificar a atuação de Hardt na homologação do repasse à fundação. Hardt também foi alvo de decisões anteriores ligadas à Lava Jato, incluindo afastamento liminar que, em 2024, foi revertido pelo plenário do CNJ. Mesmo com o arquivamento de outras reclamações disciplinares, o PAD permanece em curso.
QUEM É GABRIELA HARDT?
Gabriela Hardt foi juíza substituta ligada aos processos da Lava Jato e, em 2019, participou da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposto envolvimento em caso de sítio em Atibaia. Em 2021, o STF anulou essa decisão, considerando incompetente a 13ª Vara de Curitiba para julgar o caso. Após a saída de Sergio Moro, Hardt tornou-se titular da vara até junho de 2023.
OUTRO LADO
O Poder360 solicitou posicionamento do advogado de Gabriela Hardt sobre o adiamento do PAD. Não houve resposta até o fechamento desta edição. A reportagem atualizará o texto caso haja manifestação. Fonte oficial não foi divulgada neste momento.
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