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Conflitos por terra e água caem, mas violência letal cresce em áreas sob pressão

Conflitos no campo caem 28% em 2025, mas violência letal sobe; 16 dos 26 assassinatos ocorrem na Amazônia Legal, liderada por Pará e Rondônia

Manifestantes pedem justiça para o jornalista Dom Phillips e o ativista indígena Bruno Pereira, assassinados em 2022 — Foto: Getty Images
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  • Em 2025, conflitos no campo caíram 28% (1.593 registros), mas as mortes dobraram, de 13 para 26, com 16 assassinatos na Amazônia Legal; Pará e Rondônia lideram com sete mortes cada.
  • A maior parte dos conflitos envolve disputa por terra, representando 75% dos casos (1.186 registros); Maranhão, Pará e Rondônia concentram os casos mais preocupantes.
  • Conflitos pela água caíram de 269 para 148 em 2025; Pará registra 21 ocorrências, seguido por Bahia (19) e Minas Gerais (18), com poluição de mananciais, agrotóxicos, mineração e restrição de acesso entre as causas.
  • Casos de trabalho escravo rural aumentaram 5%, totalizando 159; 1.991 trabalhadores foram resgatados, ligado a pecuária, mineração, cana-de-açúcar e lavouras; episódio emblemático ocorreu em Porto Alegre do Norte, MT, com 586 resgatados.
  • Foram registradas 502 manifestações de resistência em 2025, envolvendo povos indígenas e comunidades tradicionais, em torno de pautas como o PL da Devastação, o Marco Temporal e impactos de grandes empreendimentos.

O número de conflitos no campo brasileiro caiu 28% em 2025, segundo o relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ainda assim, a violência letal no campo dobrou, com 26 mortes registradas, contra 13 em 2024. A maior parte das fatalidades ocorreu na Amazônia Legal, com Pará e Rondônia liderando o ranking, cada um somando sete mortes.

No total, 1.593 conflitos foram registrados em 2025, ante 2.207 em 2024. A queda geral contrasta com o aumento de mortes, evidenciando que a violência permanece concentrada em áreas sob pressão ambiental. A disputa por território respondeu por 75% das ocorrências, com Maranhão, Pará e Rondônia entre os estados com maior número de registros.

A violência no campo está associada a atividades como agropecuária, mineração e exploração de recursos naturais, que avançam em desacordo com a proteção de áreas naturais. O relatório aponta que as disputas por terra continuam predominantes, impactando povos tradicionais e comunidades locais.

Conflitos pela água

A soma de conflitos relacionados ao uso da água caiu de 269 para 148 registros, o menor número em uma década. Mesmo com a redução, todos os estados, exceto o Distrito Federal, tiveram pelo menos um caso.

As principais causas incluem poluição de mananciais, contaminação por agrotóxicos e redução de acesso à água. Indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pequenos agricultores figuram entre os principais atingidos.

Pará lidera as ocorrências de conflitos hídricos, com 21 casos, seguida por Bahia (19) e Minas Gerais (18).

Trabalho escravo

O relatório aponta aumento nos casos de trabalho escravo rural, com 159 registros em 2025, alta de 5%. Foram resgatados 1.991 trabalhadores, 23% a mais que no ano anterior.

Os episódios estão ligados a pecuária, mineração, cana de açúcar e lavouras, setores que demandam uso intenso da terra. Um caso emblemático ocorreu em Porto Alegre do Norte (MT), com 586 trabalhadores resgatados durante a construção de uma usina.

Violência

Apesar da redução geral de ocorrências, o crescimento de assassinatos indica que a violência continua estruturada. Em 2025, ocorreram dois massacres nos estados do Pará e de Rondônia, além de outras tensões em áreas de conflito.

Mobilização

O levantamento registrou 502 manifestações de resistência em 2025, envolvendo principalmente povos indígenas e comunidades tradicionais. As pautas incluem o combate ao que é chamado de “PL da Devastação”, o Marco Temporal e impactos de grandes empreendimentos de infraestrutura e energia.

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