- A Avenida Paulista será palco de um ato da direita conservadora na sexta-feira, 1º de maio, organizado por Patriotas do QG, Voz da Nação e Marcha da Liberdade, movimentos ligados ao Projeto União Brasil.
- O Projeto União Brasil é uma organização civil de 2019 que reúne conservadores, cristãos e patriotas; seus filiados incluem juristas e apoiadores de armas, sem ligação direta com o PL ou com a campanha de Flávio Bolsonaro, afirma Malta Jones.
- A Polícia Militar autorizou apenas os Patriotas do QG a permanecer na Paulista, rejeitando os demais cinco pedidos, o que levou a esquerda a realocar seus atos para outros pontos de São Paulo.
- Em 2021, o mesmo trio participou de um ato na Paulista com Carla Zambelli, Roberto Jefferson e Padre Kelmon, que criticaram a urna eletrônica e medidas de isolamento durante a Covid-19.
- O ato está previsto para durar das 11h às 18h30, com dois carros de som próximos ao MASP e à Fiesp, e terá cantos e discursos em defesa de valores conservadores cristãos, sem ataques a PT ou ao STF.
O grupo conservador que reservou a Avenida Paulista para 1º de Maio é ligado a um conjunto de movimentos de direita que, segundo apuração, atuam sob o guarda-chuva do Projeto União Brasil. A ação visa transformar a via em palco único para manifestações conservadoras, deixando a esquerda sindicalista com opções de deslocamento em outros pontos da capital.
Os relatos indicam que os três grupos — Patriotas do QG, Voz da Nação e Marcha da Liberdade — têm pouca expressão nacional isoladamente, mas carregam adesão temática comum. O Patriotas do QG é dirigido por Carlos Dias e atua principalmente com conteúdo bolsonarista nas redes, com restrito alcance online.
O que une os grupos é a filiação ao Projeto União Brasil, organização civil criada em 2019, anterior ao partido de mesmo nome. A coalizão reúne centenas de movimentos conservadores, cristãos e patrióticos, incluindo juristas e setores que defendem o direito a armas.
A relação entre o conjunto de movimentos e a Paulista já havia aparecido em 2021, quando ocorreu um ato similar na via com falas de ex-deputados e apoiadores de campanhas conservadoras. As aparições anteriores reforçam o padrão de uso da data para manifestações de ideais alinhados ao bolsonarismo.
Malta Jones, empresário conhecido como Mário Sérgio Malta, afirma que o Projeto União Brasil é apartidário e não tem ligação direta com o PL nem com a campanha de Flávio Bolsonaro, ainda que haja afinidade ideológica. Ele afirma que a próxima mobilização não tolerará ataques a partidos ou autoridades, e destacará discursos em defesa de valores conservadores cristãos.
Segundo Malta, a organização planeja posicionar dois carros de som em pontos opostos da Paulista, entre o MASP e a Fiesp, com duração prevista das 11h às 18h30. A iniciativa busca manter o controle sobre o espaço público e evitar confrontos durante a atividade.
Decisão da PM sobre a Paulista
A Polícia Militar vetou atos de esquerda na via, adotando o critério da ordem de chegada para a concessão de permissões. Em reunião com movimentos sociais, a PM autorizou apenas a manifestação dos Patriotas do QG, representados por Malta Jones, e negou os pedidos de cinco outros grupos, entre eles dois movimentos sindicais de esquerda.
A ata da reunião indicou que a PM solicitou declarações de divergências entre os movimentos para evitar antagonismo em ano eleitoral. A decisão levou à realocação de ações de esquerda para outros pontos de São Paulo na mesma data, ampliando o confronto simbólico entre as partes.
Na sexta-feira, a CSP-Conlutas planeja ato na Praça da República contra a política de 6 por 1 na jornada de trabalho, com início previsto para as 9h. Paralelamente, a deputada Érika Hilton, do PSOL, convocou apoiadores para a Praça Roosevelt no mesmo horário, ampliando o conjunto de manifestações naquele dia.
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