- O presidente Sergio Mattarella pediu esclarecimentos urgentes ao ministério da Justiça sobre relatos de que uma mulher ligada ao ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi pode ter obtido um perdão oficial sob pretextos errados.
- Nicole Minetti, já condenada por facilitação de prostituição ligada às festas “bunga bunga” na mansão de Berlusconi e por fraude, teria recebido clemência presidencial em fevereiro.
- O caso ganhou repercussão após o jornal Il Fatto Quotidiano levantar dúvidas sobre o perdão, concedido por motivos humanitários “excepcionais” com parecer do ministério da Justiça.
- Procuradores de Milão afirmaram que a Interpol foi acionada na investigação sobre alegações de declarações falsas associadas ao perdão.
- Minetti nega irregularidades; a oposição pede a saída do ministro da Justiça, Carlo Nordio, e o episódio envolve o chefe de Estado em meio a críticas políticas.
O presidente da Itália, Sergio Mattarella, solicitou esclarecimentos urgentes ao Ministério da Justiça após denúncias de que uma mulher próxima ao falecido ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi pode ter obtido um perdão oficial mediante pagamento de simulações. A pessoa em questão é Nicole Minetti, já condenada por facilitar prostituição ligada às festas na casa de Berlusconi, há mais de uma década.
Minetti foi curada de uma sentença por facilitar festas de sexo e também por desvio de verbas públicas. O perdão presidencial, concedido em fevereiro, foi descrito como com base em motivos humanitários extraordinários, com pareceres da pasta da Justiça. A decisão já gerou dúvidas levantadas pela imprensa italiana.
A investigação, conduzida pelos procuradores de Milão, envolve a possibilidade de declarações falsas no processo de clemência. O caso ganhou nova dimensão após reportagem do jornal Il Fatto Quotidiano, que questiona os fundamentos do perdão. As autoridades também acionaram Interpol como parte do inquérito.
Esclarecimentos e desdobramentos
A Procuradoria indica que a investigação pode revisar o conjunto de informações apresentadas para o perdão. O Ministério da Justiça não detalha o andamento, citando confidencialidade de apurações. O processo envolve a avaliação de documentação apresentada por Minetti e por seus advogados.
O governo, liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, vê o contexto como desafiador. O ministro da Justiça, Carlo Nordio, enfrenta pressão de oposição para demissão, sob alegações de manejo inadequado do caso.
Minetti negou irregularidades, via Ansa, afirmando que as acusações são infundadas e prejudicam sua reputação. A defesa sustenta que não houve má conduta e que o perdão seguiu os trâmites legais. Ela também ressaltou sua atuação profissional como higienista dental.
O histórico de Minetti envolve, em 2009, atendimento a Berlusconi após agressão em comício em Milão, além de atuação política que levou a uma indicação para conselheira regional em Lombardía, pelo PDL. O caso de Ruby envolve a jovem marroquina conhecida como Ruby, que foi associada a encontros com Berlusconi.
O parecer inicial sobre o perdão, com base em motivos humanitários, permanece sob reavaliação. As autoridades prometem apurar se houve melhora substancial de elementos que possa afetar a viabilidade do perdão. A investigação continua em curso.
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