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Lula mira endividados, Flávio aposta no agro e Zema ataca Moraes

Governo lança Desenrola 2.0, com descontos de até noventa por cento, para aliviar dívidas e recompor apoio entre classes médias endividadas.

Governador vem sendo cobrado pela base bolsonarista a se jogar com vontade na campanha do filho 01 - (crédito: André Pera/Estadão Conteúdo)
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  • Pesquisa Nexus/BTG Pactual aponta empate técnico no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (46% a 45%), com Lula em 41% no primeiro turno e Flávio em 36%.
  • O governo lançou o Desenrola 2.0, com descontos de até 90% para débitos de cartão de crédito e empréstimos sem garantia, para reduzir endividamento das famílias, que é de 49,9% da renda.
  • A popularidade do governo é de 46% de aprovação e 49% de desaprovação, o que sustenta o cenário de empate com Flávio Bolsonaro.
  • Flávio Bolsonaro intensifica ligação com o agronegócio, participa da Agrishow e critica o governo; o alinhamento com Tarcísio de Freitas reforça um bloco conservador, com Moro liderando no Paraná.
  • Romeu Zema, com 4% no primeiro turno, aposta em discurso antissistema e em propostas como criação de uma nova Corte, além de attack ao STF, enquanto Paes lidera no Rio de Janeiro e Moro aparece à frente no Paraná.

O debate eleitoral ganhou novo impulso com a divulgação de uma pesquisa nacional que mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no cenário de segundo turno. O levantamento Nexus/BTG Pactual aponta 46% a 45% entre Lula (PT) e Flávio (PL-RJ), respectivamente, com o primeiro turno trazendo Lula com 41% e Flávio com 36%. A divulgação ocorreu no início da semana, em meio ao estágio atual da corrida.

A sondagem evidencia dificuldades de ambos em conquistar o eleitorado indeciso. O resultado reforça a necessidade de dialogar com o centro e com segmentos voláteis, além de consolidar fidelidades já formadas. O clima aponta para uma eleição aberta, com estratégias distintas para ampliar o alcance ramo por ramo do eleitorado.

Desenrola 2.0 e endividamento

O governo registra prioridade em ampliar ações de alívio financeiro. O Ministério da Fazenda anunciou o Desenrola 2.0, programa de renegociação com descontos de até 90% para dívidas de cartão de crédito e empréstimos sem garantia. A medida busca reduzir o peso da dívida na renda familiar e estimular o consumo.

Dados oficiais apontam que o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda, o maior nível recente. O objetivo é desobstruir o consumo e reconquistar apoio das classes médias e populares, segmento crucial para o desempenho dos governos. Ainda assim, a aprovação do governo permanece parecida com o cenário de empate: 46% aprovam, 49% desaprovam.

Flávio reforça o eixo agro

Na oposição, Flávio Bolsonaro intensifica a ligação com o agronegócio, setor estratégico para sua candidatura. Ao participar da Agrishow em Ribeirão Preto (SP), o senador acusou o governo de tratar o agro como lixo e puxou o fluxo de apoio para o campo. O apoio rural segue historicamente próximo à direita e a candidatos como Ronaldo Caiado, que disputam esse espaço com força regional.

Ao lado de Flávio, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou uma virada de chave prevista para outubro e ressaltou que o senador irá manter o legado de Jair Bolsonaro. O alinhamento com Tarcísio, no conjunto, fortalece um bloco conservador com capilaridade regional e apoio de nomes como Sergio Moro, que lidera no Paraná.

Zema aposta no antissistema

Romeu Zema, ex-governador de Minas e hoje no Novo, tenta romper o rótulo de candidato periférico. Com 4% no primeiro turno, ele intensifica a radicalização do discurso antissistema, usando vídeos com inteligência artificial para criticar o Supremo Tribunal Federal, especialmente o ministro Alexandre de Moraes. A proposta inclui a criação de uma nova corte com regras mais rígidas de nomeação.

Esse movimento visa capturar eleitores críticos às instituições, mas não surtiu o efeito desejado até o momento. Em material divulgado, aparece o boneco estilizado de Zema com o mote cívico de identidade mineira, reforçando a estratégia de diferenciá-lo no cenário nacional.

Cenário regional e tendência atual

A pesquisa indica variações regionais relevantes. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) figura com até 40% das intenções, consolidando-se como aliado de Lula em um estado-chave. No Paraná, a liderança de Sergio Moro sinaliza vantagem para o campo oposicionista, acentuando a disputa entre os blocos.

A eleição permanece incerta, sem favorito claro. Lula busca manter a vantagem no primeiro turno e ampliar ganhos com políticas de impacto social imediato. Flávio avança com foco no agronegócio e alianças regionais. Zema tenta ampliar o espaço com discurso disruptivo, enquanto outros nomes aparecem sem definir o eixo principal da disputa.

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