- Milei pediu negociações bilaterais com o Reino Unido sobre as Malvinas, mas foi criticado por não enfatizar a questão o suficiente.
- Horas após a Reuters divulgar um email do Pentágono sugerindo revisar a posição dos EUA sobre as Malvinas como retaliação ao Reino Unido na guerra contra o Irã, Milei escreveu que as Malvinas “eram, são e sempre serão argentinas”.
- A Argentina sustenta que herdou as ilhas da Espanha em 1816 e que o Reino Unido tomou o controle em 1833; ocorreu a guerra de quarenta anos atrás, em 1982, com centenas de mortes de ambos os lados.
- A nova tensão entre EUA e Reino Unido surge em meio a queda de aprovação de Milei, que pode usar a pauta para tentar recuperar apoio, segundo analistas.
- Históricos lembram que Milei já elogiou Thatcher no passado e que os EUA costumam evitar tomar partido na soberania das Malvinas; o cenário político ainda não indica mudança no status quo.
Milei caminha em posição ambígua sobre as Malvinas em meio a tensões entre EUA e Reino Unido. O tema ganhou destaque após ele defender negociações bilaterais com o Reino Unido, contrastando com a postura mais moderada de governos anteriores. A medida elevou o tom público sobre o arquipélago.
O presidente argentino pediu diálogos diretos com o Reino Unido, mas foi criticado por não enfatizar com clareza a soberania sobre Las Malvinas. A discussão ocorre em um contexto de maior atrito entre potências ocidentais e de atenção às ilhas no cenário regional.
Na sexta-feira, horas depois de a Reuters divulgar que um e-mail do Pentágono sugeria revisar a posição dos EUA sobre as Malvinas como retaliação à postura britânica na guerra contra o Irã, Milei publicou em X que as Malvinas eram, são e sempre serão argentinas.
Contexto histórico
A Argentina afirma ter herdado as ilhas da Espanha em 1816; o Reino Unido assumiu o controle em 1833, alegando direito colonial. Em 1982 ocorreu uma guerra entre as duas nações, com 649 militares argentinos e 255 britânicos mortos. A memória do conflito permanece forte no país.
A relação com as Malvinas desperta emocionalmente no Brasil e em Buenos Aires, onde a memória da guerra é presente em monumentos e símbolos locais. O tema é considerado um marco da identidade nacional para muitos argentinos.
A atual tensão entre EUA e Reino Unido abre espaço para uso político no país, especialmente diante de queda de aprovação de Milei, inflação e denúncias de corrupção. Analistas veem a pauta como possível recurso para recuperar popularidade.
Percepção e cenário político
Especialistas ressaltam que as Malvinas representam uma causa sensível para a opinião pública argentina. Embora Milei tenha apoiado a ideia de maior independência diplomática, não está claro se a estratégia envolve mudanças práticas de política externa.
Um observador argentino aponta que é improvável que os EUA forcem o Reino Unido a recuar na posição de soberania, dado o estreito alinhamento entre Washington e Londres. O status quo tende a permanecer enquanto houver cooperação estratégica entre as duas potências.
Um porta-voz do governo não respondeu a pedidos de comentário sobre o tema, mantendo a posição oficial pendente de sinais adicionais. A situação segue sob avaliação de assessores, com foco em desdobramentos diplomáticos e repercussões internas.
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