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Palantir e república tecnológica: críticas por tecno-fascismo e apoio à direita

Manifesto da Palantir pela república tecnológica divide críticas e elogios, defendendo rearmamento ocidental e parceria entre tecnologia e Estado

O CEO da Palantir, Alex Karp, durante fala no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça
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  • A Palantir publicou no X um manifesto intitulado “A República Tecnológica”, defendendo uma aliança entre empreendedores de tecnologia e o Estado para rearmar o Ocidente, inspirado em uma versão moderna da República de Platão.
  • A proposta sustenta que regulações feitas por profissionais sem conhecimento técnico limitam o avanço e defende que setor privado e governo trabalhem juntos, com base no livro de Alexander Karp.
  • Críticos a veem como tecnofascismo; analistas apontam riscos de vigilância, perda de soberania e direitos civis, enquanto setores da direita apresentam apoio.
  • No Brasil, os serviços da Palantir aparecem em contratos de segurança pública de prefeituras e em órgãos como Serpro; há dúvidas sobre uso de dados nacionais.
  • Reações públicas incluem elogios de Trump e de figuras de direita; a Palantir não respondeu a questionamentos sobre o tema.

O manifesto publicado pela Palantir no X defende a criação de uma república tecnológica, etapa em que empreendedores do setor se aliam ao Estado para promover o rearmamento ocidental. A ideia é inspirada na República de Platão, mas com foco em atores do setor privado, segundo o texto publicado no dia 18.

A proposta está contida em 22 tópicos que compõem o livro A República Tecnológica, escrito por Alex Karp, CEO da Palantir. O documento sustenta que regulações feitas por especialistas sem know-how técnico limitam o avanço tecnológico e a capacidade de defesa.

A Palantir atua no âmbito militar e de segurança pública dos Estados Unidos. Entre as aplicações, está uma ferramenta de identificação biométrica de migrantes irregulares desenvolvida para o ICE, órgão de imigração dos EUA. A tecnologia tem sido alvo de denúncias de vigilância em massa.

A repercussão internacional envolve críticas de setores da esquerda e elogios de parte da direita. O pesquisador Elvin Calcaño chamou o manifesto de tecnofascismo, termo que ganhou tr sentimento nas redes sociais. O economista Yanis Varoufakis também manifestou ceticismo sobre o projeto.

Karp se apresenta como democrata e defensor de valores liberais, mas argumenta que os Estados Unidos são o maior motor de progresso. Defende maior cooperação entre empreendedores e forças militares, defendendo o fim da diplomacia tradicional, que classificou como esgotada.

O autor sustenta que o mundo vive uma era da inteligência artificial e que o Ocidente deve se preparar para uma possível Terceira Guerra Mundial. Em sua leitura, o desarmamento histórico de Alemanha e Japão foi uma correção exagerada que pode ameaçar o equilíbrio global.

As ideias de Karp ganharam atenção após a publicação no X, que já acumulou milhões de visualizações. O ex-presidente Donald Trump já elogiou a eficiência da Palantir em operações militares. Em meio a críticas, o conselho da empresa é chefiado por Peter Thiel, figura ligada ao movimento do trumpismo.

O texto recebeu apoio de personalidades associadas à direita, incluindo comentaristas do setor de tecnologia. O ideólogo russo Aleksandr Dugin destacou o valor do manifesto para agendas ultranacionalistas. Já no Brasil, a Palantir mantém vínculos com o governo e presta serviços a prefeituras.

No Brasil, os apps da Palantir aparecem em projetos da Serpro e em ferramentas de segurança pública; a Prodesp, em São Paulo, e o Ministério da Educação também aparecem entre usuários. O cientista político Sérgio Amadeu levanta dúvidas sobre a soberania de dados nacionais.

Críticos alertam que a integração entre tecnologia e aparato de segurança pode ampliar a vigilância em massa. Por outro lado, Karp defende proteção à privacidade de figuras públicas para reduzir riscos de captura de interesses na política.

A Palantir não divulgou comentário sobre as críticas recebidas ao manifesto. O caso levanta questões sobre a relação entre governança, inovação tecnológica e soberania nacional. As informações acompanham o debate sobre o papel da tecnologia na governança pública.

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