- Renan Santos, candidato da Missão, se coloca à direita e busca atrair eleitores de direita, colocando Flávio Bolsonaro como referência de centro.
- A estratégia de campanha envolve confronto, provocação e ataques, com foco em endurecimento de políticas e no “mutirão anti-Bolsa Família”.
- A Missão é o partido do Movimento Brasil Livre (MBL); o tempo de propaganda na TV e no rádio é dividido conforme a bancada e regras do TSE.
- Santos já defendeu que faccionados não devem ter os mesmos direitos que criminosos comuns e partilha de conteúdo polêmico em redes, incluindo vídeos gravados em diferentes estados.
- O MBL, grupo que originou o movimento, tem histórico de controvérsias, incluindo áudios misóginos e processo judicial envolvendo Djamila Ribeiro; Santos já foi condenado a pagar indenização por ofensa a Ribeiro.
O jornalismo acompanha a trajetória de Renan Santos, estreante da Missão, partido criado pelo Movimento Brasil Livre (MBL). Ele se apresenta como candidato da direita e mira ampliar a atuação do grupo na política nacional.
Santos rejeita a narrativa de uma terceira via e classifica Flávio Bolsonaro como centro, com o Lula também nessa posição. Segundo ele, o campo político estaria dividido entre centro e polos de direita e esquerda, com os demais concorrentes ocupando posições distintas.
Ele lançou a campanha com foco em confronto, provocação e ataque, usando redes sociais de forma agressiva e mantendo tempo de TV relativamente curto até o momento.
Da USP ao MBL
O MBL, fundado em 2014 por Renan Santos e Kim Kataguiri, nasceu com ambições de impeachment de Dilma Rousseff e ganhou notoriedade pela comunicação agressiva nas redes. Santos vinha da USP, onde tentou ingressar no DCE antes de abandonar a faculdade.
Nos anos seguintes, Santos atuou em campanhas locais e consolidou a parceria com Kataguiri, que ajudou a moldar o estilo de atuação do grupo. O movimento acabou se dividindo entre liderança e alianças institucionais ao longo da década.
O MBL criou uma identidade com conteúdos polêmicos, visuais marcantes e foco em eleitores jovens. A estratégia digital foi apontada por pesquisadoras como elemento-chave para atrair um público menos engajado politicamente.
A nova Missão
A Missão, homologada pelo TSE no fim do ano passado, busca lançar candidatos à Câmara, ao Senado, governadores em várias unidades da federação e a Presidência. O grupo visa ampliar filiações e formar novos quadros para sustentar a campanha.
Renan Santos atua em diversas frentes, incluindo viagens regionais, entrevistas locais e produção de dezenas de vídeos. O objetivo é ampliar a visibilidade fora de São Paulo e conquistar eleitores de direita.
Entre as propostas de Santos estão o que chama de mutirão anti-Bolsa Família, com frentes de trabalho nas regiões pobres. Ele defende escolas militares, prisão perpétua e endurecimento penal para faccionados.
Ele também promove o que classifica como Direito Penal do inimigo, com tratamento diferenciado a faccionados. A pauta de segurança e meritocracia aparece como eixo central na comunicação do candidato.
A atuação do grupo esbarra em dificuldades de retenção de lideranças e de formação de alianças que ampliem o tempo de propaganda gratuita. O tempo de TV e rádio é distribuído conforme a bancada, com 90% aos Deputados e 10% aos demais.
Fontes próximas ao tema apontam que a campanha de Santos não conta com grandes financiadores externos, dependendo de apoios internos e do voluntariado. O estilo de comunicação é apresentado como um diferencial do percurso do candidato.
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