- Registros do livro de ocorrências apontam que um auditor da Receita Federal liberou bagagens sem a devida fiscalização durante desembarque de um voo com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira, em 20 de abril de 2025.
- A Polícia Federal investiga crimes de prevaricação e descaminho envolvendo o auditor Marco Antônio Canella, por permitir a passagem de volumes sem inspeção adequada.
- A fiscalização registrou que itens como garrafas e eletrônicos permaneceram dentro das malas durante o procedimento, e que o piloto José Jorge de Oliveira Júnior passou pela inspeção com sete volumes depois de já ter sido inspecionado.
- O voo saiu de São Paulo em direção à ilha de São Martinho, descrita pela PF como paraíso fiscal no Caribe, em avião particular de Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG.
- O caso tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes; Motta e Nogueira não se manifestaram até o momento, e outros passageiros citados também não responderam.
Registros de uma investigação da Polícia Federal relatam falhas na fiscalização de bagagens durante o desembarque de um voo privado que transportava o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira. O caso envolve um auditor da Receita Federal, identificado como Marco Antônio Canella, que, segundo o documento, teria autorizado a entrada de malas sem a devida inspeção.
O episódio ocorreu em 20 de abril de 2025, no São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, em São Roque, SP. A PF apura crimes de prevaricação e descaminho, iniciando apuração sobre se o auditor interferiu no processo de fiscalização das bagagens.
Como aponta o registro, o auditor permitiu que itens como garrafas e eletrônicos ficassem dentro das malas durante a etapa de inspeção. Também constam informações de que um piloto envolvido no voo desfilou pela fiscalização com parte das bagagens não submetidas ao detector de metais.
Desembarque e volumes não fiscalizados
Conforme o relato, o piloto José Jorge de Oliveira Júnior teria passado pelo raio-x com duas bagagens, mas retornou com sete volumes, contornando o pórtico de detecção de metais. A PF descreve os volumes como including itens diversos, que teriam ficado sem fiscalização completa.
A investigação aponta que cinco volumes entraram no país sem passagem completa pela inspeção, e as autoridades destacam que não é possível confirmar a titularidade ou o conteúdo exato de todos os itens. Suficientes indícios, no entanto, levaram o caso ao STF pela presença de autoridades com foro privilegiado.
Contexto dos passageiros e desdobramentos
Além de Motta e Nogueira, estavam a bordo deputados como Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões, entre outros passageiros. A lista também envolve o ex-vereador Victor Linhares, que aparece em investigações relacionadas a ligações entre crime organizado e o setor de combustíveis.
O Ministério Público e a PF monitoram a relação entre o operador do voo e empresas envolvidas em plataformas de jogos, tema que ganhou atenção na apuração. Fernando Oliveira Lima afirmou que houve diálogo com o piloto sobre os itens apontados pela PF.
Reações e próximos passos
Motta afirmou ter seguido todos os protocolos aduaneiros e informou que aguardará a manifestação da Procuradoria-Geral da República. Nogueira, Canella e outros citados não se manifestaram até o momento. O piloto não foi localizado para comentar as informações apresentadas pela PF.
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