- Brasil abriga pouco mais de 2 milhões de imigrantes internacionais entre residentes, temporários, refugiados e solicitantes de reconhecimento da condição de refugiado, de 200 nacionalidades diferentes, presente em todas as unidades da federação.
- Estima-se a residência de 680 mil venezuelanos no Brasil no início de 2026, com participação maior de mulheres e crianças de 0 a 14 anos.
- Os dados vêm do 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que fundamenta a nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA).
- O mercado formal de trabalho para imigrantes cresceu quarenta e quatro por cento entre 2023 e 2025, com mais de 414,9 mil vínculos; cerca de 43% atuam na produção industrial, especialmente no abate de animais no Sul.
- No CadÚnico, o total de migrantes cadastrados subiu de 562.687 para 650.683 entre 2023 e 2024, com a maioria sendo mulheres (55,6%) e aumento de crianças de 0 a 17 anos para 188.531 em 2024.
Brasil abriga pouco mais de 2 milhões de imigrantes, refugiados e requerentes de refúgio, de 200 nacionalidades. Os dados aparecem no 12º Relatório Anual do OBMigra, apresentado pelo MJSP em Brasília. O material analisa fluxos, perfis e a integração desses grupos pela federação.
Venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos destacam-se entre os que residem no país. Estima-se que haja cerca de 680 mil venezuelanos no Brasil no início de 2026, com participação maior de mulheres e crianças. O levantamento subsidia a implementação da nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia.
Política brasileira acolhedora
O relatório ressalta a importância de dados públicos confiáveis para a gestão da migração e proteção de deslocados. A nova política nacional, vigente desde 2025, é apresentada como referência global para governança de refugiados, deslocados e apátridas no Brasil.
A apresentação do documento antecede a participação brasileira em debates da ONU sobre o Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular. O objetivo é fortalecer a integração social por meio de ações estruturais.
Trabalho e renda
O ministro do Trabalho enfatiza que a procura por emprego motiva a migração e sustenta a integração. O estudo aponta aumento de 54% no fluxo de trabalhadores migrantes com carteira assinada entre 2023 e 2025, totalizando 414,9 mil vínculos em 2025.
A maior concentração de vagas está na indústria, especialmente no setor de abate na região Sul. Entre 2022 e 2024, pedidos de residência para trabalhar tiveram alta de 68%. O mercado reage a demanda por mão de obra migrante.
Entre as nacionalidades, venezuelanos somam mais de 201 mil trabalhadores formais; haitianos registram 51,2 mil contratados; cubanos aparecem com 30,7 mil. Pesam ainda desafios de qualificação para imigrantes com ensino superior.
O relatório recomenda reconhecimento de diplomas, mediação de mão de obra qualificada e redução de barreiras institucionais para melhorar a alocação ocupacional. A qualidade da inserção depende de formação e credenciais reconhecidas.
Proteção social
No campo social, o documento evidencia vulnerabilidade associada à mobilidade. O CadÚnico registrou aumento de migrantes cadastrados, de 562.687 para 650.683 entre 2023 e 2024, com predominância feminina (55,6%).
O conjunto populacional migrante com crianças de 0 a 17 anos cresceu de 159.011 para 188.531. As mudanças refletem famílias buscando proteção social e educação, exigindo coordenação entre áreas de assistência, educação e proteção à infância.
O estudo destaca maior acesso a programas como o Bolsa Família. Em 2023, 302.497 migrantes cadastrados recebiam o benefício. O documento sugere reduzir o tempo entre cadastramento e acesso a benefícios.
Localização
O CadÚnico aponta concentração de migrantes em estados com grande atividade econômica. Em 2024, São Paulo manteve o maior contingente (140.033), seguido por Paraná (102.046) e Roraima (86.845). Santa Catarina e Rio Grande do Sul também aparecem como polos relevantes.
Esses estados refletem polos de atração econômica e permanência de migrantes, com impactos sobre serviços locais, educação e saúde. A distribuição sugere necessidade de políticas regionais integradas.
Educação
A educação mostra crescimento persistente de matrículas de estudantes imigrantes na educação básica. De 2010 a 2024, as matrículas totais passaram de 41.916 para 224.924, com alta de 437%.
O ensino superior também aumentou, de 16.696 para 29.635 entre 2010 e 2023. Desafios permanecem, sobretudo na inclusão linguística, adaptação pedagógica e capacidade institucional das escolas.
O estudo recomenda ambientes educativos que promovam diálogo, respeito à dignidade humana e acolhimento adequado nas redes públicas, com atenção a alimentação, moradia e saúde para estudantes imigrantes.
Governança local
A gestão migratória envolve União, estados e municípios. O relatório aponta a necessidade de cooperação técnica e financeira entre os três níveis para estruturar respostas permanentes no território.
A consolidação da política migratória depende de fortalecimento do pacto federativo, governança local e institucionalização de respostas municipais. A recomendação é ampliar acolhimento e interiorização, indo além de Roraima, ponto de entrada venezuelano.
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