- Cientistas, organizações socioambientais e povos indígenas pressionam pelo desenho do mapa da descarbonização, diante do atraso do governo no planejamento.
- Em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encomendou as diretrizes do mapa e seus mecanismos de financiamento a quatro ministérios, com prazo de sessenta dias; o esboço não saiu.
- O Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática e a Casa Civil indicaram que os trabalhos estão em fase de finalização, antes de avaliação pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE); Capobianco disse que o mapa não deve sair neste ano.
- Internacionalmente, o Brasil participa de discussões sobre transição energética, defendendo mais renováveis, biocombustíveis e hidrogênio de baixo carbono, com perspectiva de até 2045 se tornar negativo em carbono.
- A indústria de petróleo mantém papel central na economia, com recorde de produção, planos de investimento na transição e redução relatada de emissões operacionais, gerando divergências sobre a intensidade de carbono do petróleo brasileiro.
Brasil avança, mas o mapa da descarbonização enfrenta atraso do governo. Cientistas, organizações socioambientais e povos indígenas tentam influenciar a transição energética. A encomenda presidencial, feita após a COP30, ainda não saiu do papel, em meio a ano eleitoral e peso do petróleo.
A busca por uma matriz energética renovável aumenta, com foco em ampliar a geração limpa e reduzir o uso de combustíveis fósseis. O objetivo internacional é zerar emissões líquidas até 2050, mas a construção do plano nacional ainda depende de etapas institucionais.
Especialistas defendem seguridade regulatória e investimentos em biocombustíveis e hidrogênio de baixo carbono, mantendo a demanda por energia estável durante a transição. A matriz atual é aproximadamente dividida entre fósseis e renováveis.
Encomenda atrasada
Em 8 de dezembro do ano passado, Lula solicitou diretrizes do mapa do caminho para quatro ministérios, com prazo de 60 dias. O esboço não foi apresentado, gerando atraso na definição de mecanismos de financiamento.
O Ministério do Meio Ambiente e a Casa Civil informaram que os trabalhos seguem em fase de finalização. O CNPE deverá avaliar o material antes de avançar. Capobianco, novo ministro, indicou que o mapa pode não sair este ano.
Panorama internacional e perspectivas
Na prática internacional, o Brasil participou de uma conferência sobre transição para longe dos combustíveis fósseis em Santa Marta, na Colômbia. O país busca alinhamento com quase 60 nações para guiar sua transição.
Relatórios do Observatório do Clima apontam caminhos: ampliar renováveis no setor elétrico, investir em biocombustíveis e hidrogênio, e eliminar subsídios aos fósseis. O documento estima que o Brasil pode se tornar carbono negativo até 2045.
Pressões internas e demandas de povos tradicionais
Povos indígenas defendem zonas livres de combustíveis fósseis para proteger áreas de biodiversidade e carbono. Entidades indígenas e organizações internacionais participam de consultas que visam integrar direitos territoriais ao plano.
A indústria de petróleo mantém foco na descarbonização setorial, anunciando investimentos e redução de emissões operacionais. Dados da ANP indicam alta no consumo de gás fóssil nas plataformas em 2025, em comparação a 2024.
Mobilização e próximos passos
Críticos atribuem ao atraso o risco de fragilizar a imagem do Brasil como líder da transição. Organizações científicas e comunidades mobilizam-se para cobrar avanços, com apoio de redes internacionais.
Há propostas legislativas para transformar o mapa do caminho em política de Estado, além de planos de atuação até 2035. Espera-se que, em Bonn, na Alemanha, haja novos avanços sobre o planejamento brasileiro.
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