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Condenado na Lava Jato dividiu voo com Motta em viagem sob investigação da PF

PF investiga conduta de auditor que autorizou passagem de bagagens sem fiscalização em voo que levou Motta, Ciro Nogueira e Cavendish ao Caribe

Fernando Cavendish
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  • Condenado na Lava Jato, o empresário Fernando Cavendish viajou em voo executivo que trouxe o presidente da Câmara, Hugo Motta, e outros políticos, após passagem pela ilha de São Martinho, no Caribe.
  • O desembarque ocorreu em um aeroporto executivo de São Paulo em 20 de abril de 2025; o avião era de Fernando Oliveira Lima, apontado como operador de plataformas de jogos.
  • A Polícia Federal investiga a conduta de um auditor da Receita Federal que teria permitido a entrada de bagagens de um tripulante sem fiscalização adequada; cinco volumes viajaram sem passar por raio‑x.
  • Além de Motta, estavam a bordo o senador Ciro Nogueira e os deputados Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões; o ex-vereador Victor Linhares também figura na lista.
  • Motta disse ter cumprido os protocolos e que aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República; Cavendish já tem condenações ligadas à Lava Jato e a contratos públicos.

Entre os fatos apurados pela Polícia Federal, Cavendish, pivô da antiga farra dos guardanapos, fazia parte de um voo executivo que desembarcará em São Paulo trazendo o presidente da Câmara, Hugo Motta, e outros parlamentares após uma viagem à ilha caribenha de São Martinho. O episódio ocorreu em 20 de abril de 2025, em um aeroporto executivo da região metropolitana.

O avião pertence a Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandin OIG, apontado como operador de plataformas associadas ao chamado jogo do tigrinho. A PF investiga a conduta de um auditor da Receita Federal que teria facilitar a entrada de bagagens de um tripulante sem fiscalização adequada.

Além de Motta, estavam a bordo o senador Ciro Nogueira e os deputados Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões. Também constava na lista o ex-vereador de Teresina Victor Linhares, alvo de outra operação da PF que apura relações com o crime organizado no setor de combustíveis.

Quem é Fernando Cavendish

Ex-dono da Delta Construções, Cavendish foi condenado em desdobramentos da Lava Jato por desvios em contratos públicos. Entre 2007 e 2012, a empresa recebeu cerca de R$ 11 bilhões, com supostos desvios de propina estimados em torno de R$ 370 milhões.

Cavendish foi preso em 2016 na Operação Saqueador. Em 2018, recebeu 4 anos e 2 meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação criminosa, com delação sobre pagamentos a Sérgio Cabral. Em 2020, foi condenado a 11 anos e 8 meses por fraude a licitação e lavagem de dinheiro.

O empresário relatou em depoimento a Bretas que Cabral cobrou propina para incluir a Delta em um consórcio da reforma do Maracanã; ele disse que esses pagamentos não tinham relação com campanhas eleitorais. Também são citados pagamentos a Adriana Ancelmo, então esposa de Cabral.

Bagagens sob investigação e andamento

A PF investiga se o auditor cometeu prevaricação e descaminho ao permitir a entrada de volumes do voo sem fiscalização completa. Cinco volumes transportados pelo piloto teriam entrado no país sem passar pelo raio-X, segundo o relatório policial.

O caso envolve autoridades com foro privilegiado e foi levado ao STF em abril, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A PF aponta que o auditor Canella acompanhou a movimentação e permitiu a passagem de itens sem inspeção adequada.

O piloto José Jorge de Oliveira Júnior é o responsável pela entrega das bagagens, incluindo sete volumes ao desembarcar. Motta afirmou cumprir os protocolos aduaneiros e aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República. A reportagem procurou outros envolvidos, que não se manifestaram até o momento.

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