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Família de Alexandre Moraes quer processar Alessandro Vieira por alegação falsa

Família do ministro Alexandre de Moraes processa Alessandro Vieira por danos morais após ele associar Moraes ao PCC, alegação considerada falsa pela defesa

'Ninguém pode achar normal um ministro voando de carona com dono de bet', diz Vieira
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  • O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foi intimado pela Justiça de São Paulo em ação movida pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, pela esposa Viviane Barci de Moraes e pela filha Giuliana Barci de Moraes, pedindo indenização de R$ 20 mil cada um por danos morais.
  • A ação acusa Vieira de ter feito declarações públicas injuriosas vinculando falsamente Moraes e a família a organizações criminosas, em entrevista à BBC News Brasil e ao SBT News.
  • O processo surgiu após Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, ter dito haver indícios de circulação de recursos do PCC entre o Banco Master e ativos ligados à família do ministro, durante a investigação.
  • Vieira defende reformas no Judiciário, incluindo revisão de indicações e mandato dos ministros, críticas à atuação do STF e propostas para fortalecer a segurança e o combate à lavagem de dinheiro.
  • A BBC News Brasil publicou trechos da entrevista com Vieira, destacando as acusações na CPI, as respostas do senador e o contexto de tensões entre Legislativo e Supremo.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) informou à BBC News Brasil, em seu gabinete no Senado, que recebeu uma intimação da Justiça de São Paulo. O processo é movido pelo escritório Barci de Moraes, em nome do ministro do STF Alexandre de Moraes, sua esposa e a filha, por danos morais no valor de 20 mil reais para cada uma.

Segundo a ação, Vieira teria feito declarações públicas associando o ministro e a família a facção criminosa PCC durante entrevista veiculada em 15 de março. A defesa contesta as acusações, afirmando que as afirmações não existem e que houve intento de constrangimento ao senador, que não reside em São Paulo.

Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, afirmou que o relatório final pedia o indiciamento de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, em relatório ligado ao caso Banco Master. A comissão foi encerrada sem a aprovação dos indiciamentos.

A entrevista ocorreu após a rejeição, pelo Senado, do nome de Jorge Messias para o STF. Vieira atribuiu o resultado a uma combinação de fatores políticos, incluindo pressões de oposição e descontentamento de integrantes de outros grupos do Congresso.

No decorrer da conversa, o senador tratou da atuação da CPI e de reformas no Judiciário. Disse que propostas de mudança já tramitam e que avanços dependem de apoio político, além de defender alterações na forma de indicação de ministros e prazo de permanência na Corte.

Vieira também comentou a possibilidade de uma reforma ampla para enfrentar o que ele descreveu como infiltração do crime organizado no país. Citou necessidades de fortalecimento de órgãos como a Receita Federal, o INSS, a ABIN e o Banco Central, além de investimentos em inteligência e cooperação entre as instituições.

Sobre a atuação do STF, o senador afirmou que a CPI não se limitou ao tema ministerial, mas identificou relações entre o crime organizado e políticos, e que houve etapas de novas diligências, quebras de sigilo e audiências durante o processo. Também ressaltou que o objetivo foi investigar crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

Ao falar sobre políticas de segurança, Vieira disse que defende medidas firmes, mas sem abandonar o devido processo legal. Sinalizou apoio a penas proporcionais para crimes de organização criminosa e fez críticas à ideia de soluções rápidas, destacando a importância de fortalecer o aparato público para enfrentar o problema.

Questionado sobre cenários eleitorais, o senador indicou uma busca por uma terceira via para 2026, citando nomes como Renan, Zema e Caiado. Disse que não votaria em Lula nem em Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, mas manteve o tom pragmático ao discutir propostas regionais e nacionais.

A BBC News Brasil verificou que a defesa da família Moraes sustenta que não há investigações contra eles e que as acusações de Vieira são infundadas, alegando abuso de autoridade. A defesa ressaltou que o processo está em tramitação e que as declarações do senador foram contestadas.

A íntegra da entrevista ilustra, segundo Vieira, a percepção de que o crime organizado domina parte do território nacional e que o financiamento ilegal de campanhas e a violência política favorecem o problema. O senador defende investimentos públicos e reformas para endurecer o combate à criminalidade.

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