- Em menos de 24 horas, o governo sofreu duas derrotas no Senado, impactando a gestão de José Guimarães na Secretaria de Relações Institucionais.
- A maior derrota foi a rejeição de Jorge Messias para o STF, com 42 votos contrários e 34 favoráveis, exigindo maioria absoluta de 41 para a aprovação.
- Na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça, Messias recebeu 16 votos a 11, mas falhou no plenário.
- O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, atuou nos bastidores para barrar o nome, ligando para senadores na véspera da votação.
- Governo avalia medidas internas e possíveis mudanças na articulação, incluindo a hipótese de novo indicado ao STF e, quem sabe, uma vaga ocupada por mulher.
Duas semanas após tomar posse na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência (SRI), o ministro José Guimarães (PT-CE) enfrenta a maior derrota governista no Congresso neste início de gestão. O episódio ocorreu em pleno confronto entre Executivo e Senado, marcado por articulações do presidente Davi Alcolumbre (União-AP).
A rejeição ocorreu no plenário do Senado, após aprovação inicial na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O indicado, Jorge Messias, para vaga no Supremo Tribunal Federal, não atingiu a maioria absoluta necessária de 41 votos entre 81 deputados. O placar final foi de 42 contrários e 34 favoráveis.
Derrota no STF
A derrota colocou em foco a estratégia de articulação de Guimarães, responsável por melhorar o relacionamento entre os Poderes. O governo já reconhece falhas na organização da ofensiva e no mapeamento de aliados entre senadores, segundo relatos internos.
Conforme apurado, Alcolumbre ligou para senadores para incentivar votos contrários ao nome apresentado. A ofensiva ocorreu durante a sabatina na CCJ, gerando tensão entre Planalto e Congresso. A narrativa aponta resistência histórica do presidente do Senado ao indicado.
Guimarães reuniu-se com o presidente Lula no Palácio da Alvorada pouco antes da divulgação do resultado. Questionado se o resultado seria favorável, o ministro respondeu com uma afirmação de tranquilidade. Jaques Wagner, líder do governo no Senado, também participou de encontros pré-votação.
No entorno do governo, há quem critique a falta de leitura sobre o clima político e a mobilização entre parlamentares. A expectativa era de uma disputa ajustada, mas a derrota foi mais expressiva do que o previsto.
A derrota ocorre cinco meses após a indicação de Messias. Lula adiou o envio da mensagem ao Senado por receio de reprovação. O governo avalia os próximos passos, incluindo a possibilidade de indicar outro nome para a vaga no STF, com discussão sobre a representatividade de gênero.
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