- Exposição na NYU, intitulada “Woody Guthrie: What This Guitar Might Do”, reúne mais de 130 reproduções de materiais do Guthrie e uma réplica de seu apartamento em Mermaid Avenue, em Coney Island.
- A mostra foi organizada por Bea Esteves Mendez e três colegas, conectando a obra de Guthrie a protestos e resistência política atuais.
- O acervo destaca desenhos, cartuns e letras que incentivam organização, voto e ações contra exploração, com itens que protestam contra brutalidade policial e apoiam sindicatos.
- A curadoria também incorpora canções de artistas contemporâneos, como Bad Bunny, A Tribe Called Quest e Solange, para mostrar a continuidade da resistência criativa.
- A produção ocorre em meio a críticas à postura da NYU perante manifestações políticas, que influenciou ajustes temáticos da exposição e a escolha de conteúdos.
- A mostra fica no Clive Davis Gallery de 31 de março a 15 de maio.
A exposição Woody Guthrie: What This Guitar Might Do chega a Brooklyn para apresentar a obra do artista anti-fascista a uma nova geração. O projeto fica em cartaz no Clive Davis Institute of Recorded Music, na NYU, de 31 de março a 15 de maio. A curadoria fica a cargo de Bea Esteves Mendez e três colegas da universidade.
O espaço recria o apartamento de Guthrie em Mermaid Avenue, em Coney Island, com instrumentos e objetos que remetem à criatividade explosiva do músico. Além disso, a mostra exibe mais de 130 reproduções de materiais arquivísticos do Woody Guthrie Center, em Tulsa, Oklahoma.
Os objetos exibidos revelam a atuação política de Guthrie, com cartuns incentivando organização, críticas a capitalistas e memórias de shows beneficentes. A curadoria busca transmitir a energia lúdica presente nas composições do poeta da música folk.
A curadora e filha de Guthrie, Nora Guthrie, celebrou a continuidade da tradição de resistência criativa ao lado de artistas contemporâneos, como Bad Bunny e bandas de protesto. Ela destacou que Guthrie combinava alegria com mensagem política, sem perder o ritmo lúdico.
Nora comenta que o acervo da família permite explorar lados pouco vistos de Guthrie, especialmente após a recuperação de cadernos e anotações de Guthrie preservados graças a uma doação de Nora. A estrutura expõe a interseção entre arte, política e história social.
A atuação da NYU também é pauta do debate. A universidade tem sido criticada por reprimir protestos de estudantes e docentes ligados a questões como a guerra no Gaza. Em meio a esse ambiente, a exposição surge como espaço de reflexão histórica e de resistência criativa.
A produção mostra que a resistência musical segue relevante nos EUA contemporâneos, com referências que vão de Stromae a Bruce Springsteen e Dropkick Murphys, conectando passado e presente em torno de temáticas de opressão e organização comunitária.
A exposição e o contexto
O projeto foi idealizado para oferecer ao público uma leitura de Guthrie que dialoga com o momento atual. Os organizadores ressaltam que a ideia foi preservar o espírito de criação abundante e as possibilidades de participação do visitante.
A curadoria incentivou visitas com estímulo à experimentação, incluindo a possibilidade de tocar instrumentos, desenhar e escrever. Em meio à repressão institucional, a mostra se apresenta como espaço de memória e de expressão política.
O material exibido cobre desde desenhos e notas de Guthrie até cartuns que promovem ações coletivas, além de itens de ações de apoio a trabalhadores e refugiados do Dust Bowl. O conjunto busca evidenciar a amplitude de sua influência.
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