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Líderes de 56 países buscam reduzir dependência mundial do petróleo

Conferência de Santa Marta reúne 56 países para acelerar a transição energética, com painel científico e mobilização social cobrando fim dos combustíveis fósseis

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  • Ministros e líderes de cinquenta e seis países participaram, em Santa Marta, Colômbia, de quatro dias de encontros da Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, com ênfase na transição energética e na participação da sociedade civil.
  • O encontro de Alto Nível (28 e 29 de abril) saiu da pauta apenas técnica e ganhou impulsos de mobilização popular, com lançamentos de um painel científico e declarações de povos tradicionais.
  • Foram realizadas protestos de povos indígenas, comunidades afrodescendentes e organizações internacionais, cobrando transição energética justa e fim de fósseis, além de críticas a falsas soluções climáticas.
  • O Painel Científico para a Transição Energética Global foi criado na conferência, com sede na Universidade de São Paulo, para orientar políticas baseadas em evidências.
  • No Brasil, persiste a expectativa de que o país internalize os debates, finalize o mapa do caminho e consolide ações nacionais, frente a uma agenda internacional que pressiona pela redução de fósseis.

Santa Marta recebeu, entre 28 e 29 de abril, a reunião de Alto Nível da conferência sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis. Ministros e líderes de 56 países discutiram caminhos para reduzir a dependência global do petróleo, em um formato que deu espaço à mobilização da sociedade civil. O encontro foi o desdobramento de uma mobilização iniciada na sexta-feira anterior.

A conferência reuniu pesquisadores, governos locais e organizações, com o objetivo de avançar uma Coalizão da Boa Vontade. Participaram também representantes de redes jurídicas e de defesa ambiental, buscando alinhar ciência, políticas públicas e participação popular para a transição energética.

Protestos e participação cívica marcaram os dias de Santa Marta, com mobilizações que criticaram a continuidade de exploração de petróleo e defenderam uma transição justa. Ativistas e povos tradicionais percorreram a cidade, em frente a espaços onde ocorreram entrevistas e conferências.

Progresso científico e participação regional

O evento resultou na criação do Painel Científico para a Transição Energética Global, sediado na USP, para orientar políticas públicas com base em evidências. Um painel busca consolidar recomendações para reduzir o uso de combustíveis fósseis.

A Rede para a Redução dos Combustíveis Fósseis na América Latina e Caribe foi lançada, buscando articular pesquisadores, organizações e movimentos sociais da região. A proposta é reduzir fósseis por meio de ciência conectada às necessidades locais.

Vozes indígenas e governos subnacionais

Declarações de povos indígenas defendem autodeterminação, consentimento livre, prévio e informado e participação efetiva em políticas climáticas. Também pedem o fim das atividades extrativas em territórios indígenas e maior proteção a defensores.

Líderes sociais destacaram a importância de levar as discussões para dentro dos países, com participação de governos subnacionais, setor privado e parlamentares. A presença de apenas seis deputados pan-amazônicos mostrou o desafio de internalizar o debate regionalmente.

Perspectivas nacionais e internacionais

A conferência busca consolidar diretrizes que influenciem compromissos globais e estratégias nacionais de transição energética. Dados de Ember indicam queda na atuação de fontes fósseis em países OCDE, com avanços também na China e na Índia.

No Brasil, a presidência da COP30 acompanha e incentiva a formulação de um mapa do caminho para a retirada progressiva de combustíveis fósseis. A ausência de mapas oficiais não impede, porém, o avanço do debate na esfera pública e acadêmica.

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