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Por que Trump faz afirmações consideradas inverossímeis

Talisse diz que mentiras de Trump exibem poder e desprezo, controlando a pauta; porém sinais de erosão no apoio da base começam a aparecer

Estratégia pode ser especialmente vantajosa para Trump quando ele fala a jornalistas, e os obriga, já que ele é o presidente da República, a fazer reportagens sobre essas declarações incríveis, controlando assim os ciclos do noticiário, diz o articulista
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  • Em vinte e seis de abril, um dia após um homem armado tentar chegar ao jantar em que Donald Trump participava, o presidente concedeu entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS.
  • Na entrevista, Trump afirmou não ter tropeçado nem caído ao ser retirado para um local seguro; ele disse ter se abaixado a pedido dos agentes, mas vídeos nas redes sociais sugerem que ele foi ao chão involuntariamente.
  • A matéria cita dados do Washington Post Fact Checker indicando que Trump fez dezenas de milhares de mentiras públicas ao longo do tempo, com quarenta e duas mentiras por dia em 2020.
  • O filósofo Robert B. Talisse sustenta que repetir de forma resoluta informações falsas pode ser uma forma de demonstrar desprezo pelo interlocutor e controlar os ciclos de notícia, fortalecendo a coesão da base.
  • Pesquisas indicam erosão de apoio entre a base mais fiel de Trump e alguns líderes do Maga, com exemplos de críticas de figuras próximas, como Tucker Carlson, que afirmou sentir-se traído pela direção do governo.

O presidente Donald Trump concedeu uma entrevista ao programa 60 Minutes, da CBS, em 26 de abril, um dia após um incidente em que um homem armado tentou chegar ao jantar onde ele participava. A reportagem também abordou declarações do líder sobre políticas e a condução do país.

Durante a entrevista, Trump disse que não tropeçou nem caiu ao ser retirado do palco pelos agentes do Serviço Secreto. Segundo ele, baixou-se a pedido dos agentes e permaneceu no chão apenas por orientação profissional.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram o momento em que o presidente foi ao chão de forma involuntária e recebeu auxílio para se levantar e se afastar. As imagens contradizem a versão apresentada pelo chefe do Executivo.

Especialistas foram citados para explicar o fenômeno. Em 2018, pesquisadores da Carnegie Mellon e do MIT sugeriram que mentiras deliberadas podem reforçar a coesão de apoiadores, ao manter o discurso em uma perspectiva de ressentimento contra o establishment.

Outro ponto discutido é o uso estratégico dessas afirmações. O filósofo Robert B. Talisse argumenta que repetir informações improváveis pode demonstrar poder e desprezo, pressionando a imprensa a cobrir o tema e favorecendo o controle de ciclos de notícia.

Em entrevistas e análises, Talisse afirma que a tática pode visar a imprensa e a oposição, mostrando que o presidente não pode ser contido. Pesquisas recentes indicam, porém, uma erosão de apoio entre a base mais fiel do movimento.

Tanto Hahl, Kim e Sivan quanto Talisse destacam que, para alguns apoiadores, as mentiras podem consolidar a coesão interna. Outros observadores apontam que o distanciamento de lideranças do Maga já começou a ocorrer em resposta a desdobramentos econômicos e internacionais.

Segundo Tucker Carlson, ex-colunista da Fox News, o apoio a Trump pode depender da percepção de traição. Em entrevista ao Wall Street Journal, Carlson afirmou que não odeia Trump, mas desaprova a direção do governo e a gestão atual.

Especialistas ressaltam que o efeito dessas mentiras não é apenas narrativo. A soma de declarações falsas divulgadas ao longo dos anos contribuiu para ampliar o ceticismo em relação a fatos verificáveis entre parte da população.

A discussão também envolve o legado político de Trump. Alguns analistas destacam que a estreia de 2016 foi marcada por acusações infundadas contra o ex-presidente Barack Obama para justificar a candidatura, enquanto outros apontam que o megalomania pode ter impulsionado a fama e o poder do líder.

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