- A cinco ou seis meses das eleições de meio de mandato nos EUA, o movimento conservador Mães MAHA ganhou visibilidade ao questionar o governo Trump na disputa contra a Bayer sobre o Roundup.
- O caso envolve o herbicida glifosato e a possível obrigação de incluir aviso de câncer no rótulo; a Suprema Corte discutiu se os estados podem definir regras próprias de rotulagem.
- Cerca de 200 pessoas, entre ativistas e Mães MAHA, protestaram em frente à Suprema Corte no dia da audiência, na última segunda-feira (27).
- O governo argumenta que a EPA já concluiu que o glifosato provavelmente não é cancerígeno e que a decisão sobre riscos cabe à agência, não ao Judiciário; a Bayer sustenta que o Roundup não causa câncer.
- A Farm Bill, em debate no Congresso, voltou a trazer uma disposição de proteção a fabricantes de agroquímicos contra processos; a decisão da Suprema Corte pode influenciar o setor até junho.
A sexta-feira de decisões na Suprema Corte dos Estados Unidos ganhou um tom de tensão entre conservadores e ativistas. O grupo Mães MAHA, aliado ao movimento Make America Healthy Again, questiona políticas ligadas ao uso de herbicidas, especialmente o Roundup da Bayer, e o papel da EPA na avaliação de riscos. A audiência ocorreu na segunda-feira (27), em Washington, durante um processo sobre rótulos de pesticidas.
As Mães MAHA defendem uma visão de saúde pública que privilegia avisos mais claros sobre riscos de câncer associados ao glifosato. O grupo reuniu cerca de 200 pessoas em frente à Corte, incluindo ativistas ambientais, para acompanhar os argumentos orais. A manifestação buscou pressionar o Judiciário a reduzir a dependência de regulações federais.
Do lado do governo americano, o advogado-geral D. John Sauer afirmou que a EPA já avaliou repetidamente o glifosato como provavelmente não cancerígeno e aprovou rótulos sem alertas de câncer. A defesa sustenta que cabe à EPA, e não aos tribunais, definir a segurança de químicos agrícolas. A Bayer sustenta que rotulagem diferenciada por estado criaria um conjunto de regras distintas.
Mudança de tema: impacto político e legal em jogo
As Mães MAHA criticam a aproximação do governo Trump à Bayer na disputa, que já envolveu contatos com a Casa Branca em abril. Em fevereiro, Trump assinou uma ordem executiva para estimular a produção de glifosato, ampliando suposta segurança energética e agrícola. O grupo argumenta que pesticidas afetam diretamente a saúde de crianças.
Segundo a CNN, o debate está em aberto sobre se estados podem estabelecer regras de rotulagem próprias, tema central do processo. A Bayer contesta, alegando que regulações diversas dificultariam o setor agrícola. A Suprema Corte deve anunciar uma decisão até junho, com impactos para grandes players do agronegócio.
A controvérsia alimenta tensões entre o grupo conservador e o governo federal, especialmente no que diz respeito à Farm Bill. Uma disposição incluída no início do ano, retirada após críticas, foi reintroduzida por parlamentares republicanos no projeto de lei agrícola. O tempo urge: a Farm Bill expira em 30 de setembro.
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