- Botstein anunciou a saída da presidência do Bard College após uma revisão independente que identificou contatos frequentes com Jeffrey Epstein.
- A WilmerHale informou aproximadamente 25 visitas de Botstein à casa de Epstein, uma visita a Little St James e duas visitas de Epstein ao Bard, com a participação de várias mulheres apontadas como vítimas.
- O período de contato ocorreu entre 2012 e 2019; o relatório não acusa Botstein de crime, mas sustenta que os encontros geraram preocupações sobre a reputação da instituição.
- O documento aponta que Botstein foi alertado por um membro da comunidade acadêmica para não se envolver com Epstein; ele, no entanto, teria defendido que Epstein era apenas “um condenado comum” e que precisava de fundos para Bard, segundo a avaliação.
- Os fundos ligados a Epstein seriam direcionados a organizações que apoiam sobreviventes de danos sexuais; Botstein anunciou aposentadoria para 30 de junho, mantendo-se como professor e músico da Bard.
Leon Botstein anunciou que deixará a presidência do Bard College após uma avaliação independente sobre suas ligações com Jeffrey Epstein. O estudo — encomendado pelo conselho da instituição — aponta que as visitas frequentes de Botstein ao arquiteto do caso de abuso sexual poderiam ter levantado a percepção de que Bard ajudaria os abusos.
A investigação, conduzida pelo escritório de advogados WilmerHale, descreve cerca de 25 visitas de Botstein à casa de Epstein, bem como uma viagem de dois dias à Little St. James Island e duas visitas de Epstein à Bard. O material de apuração aponta a presença de várias mulheres associadas a Epstein.
Epstein e Botstein mantiveram contato entre 2012 e 2019. Apesar de Botstein não ter sido acusado de qualquer crime relacionado ao caso, o relatório sugere que o presidente foi alertado por um alto docente de evitar o relacionamento com o financiador.
Resultados do inquérito
O relatório indica que Botstein buscava apoio financeiro de Epstein para Bard, e que houve um aviso anterior para não se envolver com o investidor. Em vez de seguir essa orientação, o presidente teria adotado a visão de que Epstein poderia estar rehabilitado, após cumprir pena.
Em carta aos conselheiros, a diretoria informou ter recebido as conclusões em 30 de abril e que Botstein apresentou a renúncia, com efeito a partir de 30 de junho. A instituição afirmou valorizar os décadas de serviço do dirigente e destacou a necessidade de uma transição ordenada.
A direção também mencionou que Botstein defendia a importância de captar recursos, ainda que haja controvérsia sobre a forma como foram obtidos. O relatório cita que Botstein afirmava ter doado tais recursos ao Bard, ou mesclado com contribuições da família.
Próximo passo e impactos
O Bard planeja direcionar fundos vinculados a Epstein para organizações que apoiam sobreviventes de violência sexual. Além disso, o estudo aponta que Epstein recebeu convites não aceitos pelo Bard, como estadas no alojamento de hóspedes e participação em atividades acadêmicas, que poderiam ter aumentado a exposição de alunos ao caso.
Segundo WilmerHale, Botstein teria minimizado, em público e ao campus, a extensão de seu relacionamento com Epstein, o que gerou questionamentos entre membros da comunidade. O conselho informou que a renúncia visa uma transição estável e a continuidade acadêmica.
Botstein, em comunicado, não entrou em detalhes sobre as conclusões, reiterando a intenção de se aposentar após 51 anos de serviço. O professor afirmou que permaneceria como docente e músico e que residiria no Finberg House, no campus.
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