- Em audiência na Câmara, o presidente da Conexis Brasil Digital afirmou que o crime organizado controla a internet em 313 municípios de 6 estados, atingindo cerca de 6 milhões de pessoas.
- As facções impedem a atuação das operadoras e, em alguns casos, promovem violência contra equipes que mantêm as redes.
- Em Fortaleza, o controle rápido do território levou, em uma semana, a 5% a 10% dos moradores terem acesso à internet afetado; em menos de um mês, quase 25% da população ficou sob domínio criminoso.
- O Ceará é um dos seis estados com maior domínio dessas ações, e há propostas para classificar a rede de telecomunicações como infraestrutura crítica, com atuação federal e plano de inteligência integrada.
- Também foi discutida punição mais severa para sequestro de infraestrutura e receptação de cabos, além da necessidade de cassação de outorgas de empresas associadas a criminosos, com apoio das polícias estaduais.
Em audiência pública na Câmara dos Deputados, na quarta-feira (29.abr.2026), o presidente da Conexis Brasil Digital, Marcos Ferrari, afirmou que o crime organizado controla o acesso à internet em 313 municípios de seis estados. O relato aponta impactos diretos na operação de telecomunicações e no atendimento aos usuários.
Segundo Ferrari, essa ocupação criminosa impede a atuação das operadoras e, em alguns locais, chega a causar violência contra trabalhadores que mantêm as redes. A prática afeta grandes, médias e pequenas empresas do setor.
A sessão também contou com o posicionamento de representantes da Telcomp, que destacaram a velocidade com que o crime pode tomar territórios. Em Fortaleza, por exemplo, 5% a 10% dos moradores tiveram serviço comprometido em uma semana, evoluindo para 25% em menos de um mês.
Impactos regionais e números
Hoje, Fortaleza registra cerca de 2 milhões de habitantes, dos quais aproximadamente 500 mil moram em áreas sob domínio do crime. As informações são relevantes para entender a disseminação do problema no Ceará, estado com alta ocupação de redes.
Luiz Henrique Barbosa da Silva, da Telcomp, defende medidas para elevar a eficácia das ações de segurança. Entre elas, classificar a rede de telecomunicações como infraestrutura crítica e adotar um plano de inteligência federal para troca de informações.
Medidas e debates
Os participantes sugerem punições mais severas para sequestro de infraestrutura e receptação de cabos. O deputado Capitão Alberto Neto afirmou que pretende avançar com propostas para aumentar a repressão a crimes ligados à prestação de serviços de telecomunicações.
Segundo Hermano Tercius, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, uma das saídas é cassar concessões de empresas que se associem a criminosos. A verificação ficaria a cargo das polícias civis estaduais, com encaminhamento de provas à agência reguladora.
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