- PCC ampliou o controle em Paraisópolis, tornando a maior favela de São Paulo o principal centro de comando e adota táticas associadas ao Comando Vermelho.
- Medidas incluem cobrança de taxas, bloqueio de vias, fiscalização de ONGs e uso de lideranças em protestos da facção.
- A comunidade, com quase 60 mil moradores, passou a ter a favela como sede de resoluções de conflitos, com julgamentos na chamada “laje”.
- A entrada do PCC em Paraisópolis remonta a 2003, com histórico de disputa entre grupos ligados à facção, incluindo o grupo de Piauí e o aliado Boneco.
- Governo diz que combate ao crime organizado é prioridade; intervenções públicas vão de investimentos anunciados de R$ 1,6 bilhão a obras previstas para ampliar a linha 17-ouro do metrô, com início em 2028.
A favela de Paraisópolis, em São Paulo, tornou-se o principal centro de comando do PCC na cidade. O grupo ampliou seu controle territorial nos últimos dois anos, adotando táticas ligadas ao CV, como fiscalização de vias, cobrança de taxas a comerciantes e coordenação de organizações sociais.
Moradores, comerciantes e promotores relataram à Folha que o PCC impõe regras próprias e interfere na vida cotidiana. Há relatos de bloqueios de vias, uso de lideranças locais para protestos e exigência de pagamento de taxas para a realização de serviços na comunidade.
A atuação do PCC em Paraisópolis ganhou visibilidade após investigações do Ministério Público e entrevistas com moradores, que descrevem um organograma da criminalidade instalado na região. A área abriga quase 60 mil pessoas e passa por mudanças profundas de ordem pública.
Chegada da facção
Registros apontam que o PCC chegou a Paraisópolis por meio de disputas entre facções já estabelecidas na região, com apoio de aliados locais. Desde então, o grupo teria consolidado a atuação na favela, influenciando o tráfico de drogas e a gestão de conflitos internos.
O PCC passou a controlar a União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, ampliando a capacidade de coordenação com a comunidade. Representantes de organizações locais passaram a prestar contas ao PCC e a participar de grupos de comunicação sobre presença policial.
Controle ampliado
Segundo moradores, a facção cobra taxas do comércio local e atua na supervisão de serviços, como televisão e internet, enquanto grandes operadoras de telefonia continuam atuando na área. A prefeitura planeja intervenções de infraestrutura avaliadas em cerca de R$ 1,6 bilhão, incluindo a expansão da avenida Hebe Camargo e o prolongamento da linha 17-ouro do metrô, com início previsto para 2028.
Promotores ouvidos pela reportagem ressaltam que as mudanças elevam o poder do PCC na região, aproximando as ações da prática do CV carioca. Especialistas destacam que a transformação pode dificultar intervenções futuras do estado no território.
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