- O crescimento do eleitorado evangélico em Santa Catarina é de 32% desde 2010, chegando a 1,6 milhão de pessoas.
- Em 2023 houve a instalação da Frente Parlamentar Evangélica na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, com seis deputados estaduais.
- Pesquisa AtlasIntel aponta que, entre evangélicos no estado, 66,6% preferem candidatos de direita, ante 46,3% entre os católicos.
- O grupo evangélico aparece na política estadual por meio da bancada no Congresso Nacional, com nove dos 16 deputados catarinenses, além de vários prefeitos alinhados à direita.
- Nos resultados recentes, Jair Bolsonaro obteve 69,27% dos votos em Santa Catarina em 2022, Jorginho Mello venceu o governo estadual com 70,69% no segundo turno, e, em 2024, o PL conquistou 90 prefeituras no estado.
Em Santa Catarina, o eleitorado evangélico avança na polarização política ao se aproximar de candidaturas de direita, ampliando o alinhamento com pautas de costumes. A avaliação é de líderes religiosos e analistas, que apontam o movimento como consequência do crescimento do segmento no Brasil e do ambiente político regional. O peso eleitoral desse grupo é visto como fator relevante para as eleições de 2026.
Segundo o presidente do Conselho de Pastores de Santa Catarina (Copasc), Leonardo Aluísio, a convergência se alimenta de críticas a discursos considerados contrários aos valores cristãos. “Nos posicionamos frente a tudo o que discordamos, e fica visível nossa postura política, mais próxima da direita”, afirma o pastor.
Aluísio acrescenta que a expansão da população evangélica se reflete na ocupação de espaço público. Ele cita a eleição de deputados que professam a fé ou defendem os mesmos valores, lembrando que nove dos 16 deputados catarinenses integram a bancada evangélica no Congresso Nacional. Há também prefeitos eleitos alinhados a essa visão.
Em 2023, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) instalou pela primeira vez a Frente Parlamentar Evangélica, com seis deputados estaduais. Segundo o pastor, esse passo representa um avanço comparado a mandatos anteriores, em que apenas três parlamentares se declaravam evangélicos.
Crescimento demográfico e impacto eleitoral
Dados do IBGE apontam que o segmento evangélico cresceu 32% em Santa Catarina desde 2010, totalizando 1,6 milhão de pessoas no estado. A população católica, que soma 4,3 milhões (64,3%), perdeu espaço frente aos 73,5% de 2010. O grupo evangélico passou a ter participação expressiva na sociedade local.
O mesmo levantamento aponta que, nos últimos anos, as ações das igrejas têm ampliado a presença no cotidiano das comunidades, com atividades de apoio e reinserção social, segundo Aluísio. A pesquisa AtlasIntel, de março, mostra 56% dos catarinenses são católicos, 25,3% identificam-se como evangélicos, 8,2% seguem outras religiões, 5,5% não têm religião e 5% são agnósticos ou ateus. Entre evangélicos, 66,6% apoiam candidatos alinhados à direita, contra 46,3% entre católicos.
Contexto eleitoral recente
Dados de 2022 indicam forte apoio aos candidatos de direita em Santa Catarina: Jair Bolsonaro recebeu 69,27% dos votos no estado, e Jorginho Mello, apoiado por Bolsonaro, venceu o governo estadual com 70,69% no segundo turno. Em 2024, o PL reportou a conquista de 90 prefeituras no estado, seguido por MDB com 70, PP com 53 e PSD com 41.
O cientista político Adriano Cerqueira associa os resultados eleitorais à força do eleitorado evangélico, argumentando que valores como família e liberdade individual moldam a agenda conservadora no estado. A percepção é de que o grupo tem maior peso na definição de candidaturas e alianças locais.
Diferentes trajetórias entre católicos e evangélicos
Estudos de Abrapel, Ipespe e UFRJ indicam que 52% dos evangélicos no Brasil se declaram de direita, enquanto 18% se alinham com a esquerda. O panorama entre católicos difere, com maior presença de pautas associadas à esquerda. O pesquisador Mário Lepre aponta que a coesão de valores no meio evangélico tende a favorecer o alinhamento com o campo conservador, ressaltando que Santa Catarina exemplifica essa dinâmica sem representar unanimidade entre os fiéis.
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