- Roberto Azevêdo, ex-diretor da Organização Mundial do Comércio, analisa a reunião entre Lula e Trump com cautela; a agenda ainda está sendo negociada.
- Há assimetria na preparação: o anúncio veio do governo brasileiro, enquanto os Estados Unidos não fazem questão de grande visibilidade.
- Primeiro pilar da pauta é o combate ao crime organizado transnacional; o Brasil busca tratamento político com um memorando de entendimento, e os EUA preferem uma abordagem técnica, possivelmente com mão única.
- No tema comercial, o Brasil argumenta que os EUA duplicaram o saldo comercial, enquanto a China responde por mais de trinta por cento das compras brasileiras e os EUA por menos de dez por cento; algumas isenções tarifárias teriam sido unilaterais.
- O terceiro pilar é a exploração de terras raras; o Brasil teme virar alvo de alinhamento anti-China ao dialogar com os EUA, apesar do interesse em desenvolver mineração e processamento no país; o desfecho do encontro é incerto, mas, para Lula, o cenário é politicamente favorável.
O ex-diretor da OMC Roberto Azevêdo avaliou com cautela a reunião prevista entre Lula e Trump nesta semana, em entrevista ao WW. Ele analisou bastidores e a agenda do encontro, destacando assimetria no tratamento entre os governos.
Azevêdo aponta que o acordo foi fechado na semana anterior à viagem, sem anúncio oficial dos EUA, apenas pelo governo brasileiro. Ele diz que isso sugura divergência de abordagem entre as partes e que a agenda ainda está em negociação.
Os três pilares da agenda
O primeiro eixo envolve o combate ao crime organizado transnacional. Brasil e EUA combatem grupos como PCC e Comando Vermelho, mas divergências aparecem quanto ao formato: Brasil defende tratamento político com memorando, EUA prefere vias técnicas, com menor envolvimento brasileiro.
O segundo tema é comércio. O Brasil pode sustentar que os EUA ampliaram o saldo, enquanto a China responde por mais de 30% das compras brasileiras. Os EUA representam menos de 10%, segundo a análise de Azevêdo.
O terceiro pilar trata da exploração de terras raras. O ex-diretor aponta dificuldades para o Brasil se associar a iniciativas lideradas pelo G7, sob risco de parecer alinhamento anti-China. O país tem forte interesse em mineração e processamento de minerais críticos.
Para Azevêdo, o encontro pode trazer ganhos políticos para Lula caso haja acordo ou até mesmo se houver impasse, pela demonstração de habilidade diplomática. O cenário permanece incerto quanto ao desfecho final.
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