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Governo recua em estatal de terras raras, pretende incluir Estado indutor

Governo recua na Terrabras, mas busca manter Estado indutor em minerais críticos, enquanto relator mantém controle público sobre terras raras

Governistas querem convencer o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) a especificar o papel do Estado como indutor dos investimentos na exploração de minerais críticos
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  • O relator do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos é o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), cuja proposta desagrada parte do governo.
  • Uma das controvérsias é a rejeição à criação de uma estatal para o setor, batizada de Terrabras, tema que o governo não pretende insistir no momento.
  • Jardim apresentará o relatório nesta segunda-feira, e a votação deve ocorrer no dia seguinte, segundo a expectativa de bastidores.
  • O Palácio do Planalto designou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, para articular a Câmara sobre o projeto.
  • Críticos afirmam que o texto não restringe suficientemente a atuação de empresas estrangeiras e não garante contrapartidas, defendendo que o Estado tenha papel central na mineração de terras raras.

O governo recua em insistir na criação de uma estatal para o setor de terras raras, ao mesmo tempo em que defende a atuação do Estado como indutor dos investimentos na exploração de minerais críticos. O projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos é relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) na Câmara.

Jardim já apresentou seu relatório, com expectativa de leitura nesta segunda-feira. A votação está prevista para ocorrer na sequência, ainda na semana. A passagem pelo texto ocorre em meio a pressões de aliados do Palácio do Planalto para evitar a criação da Terrabras, estatal que chegou a ser prevista no debate anterior.

Segundo relatos coletados pela Coluna do Estadão/Broadcast Político, a base governa não pretende, neste momento, exigir a inclusão da Terrabras no projeto. A tática é manter um arcabouço geral que assegure o papel do Estado na coordenação de ações com empresas ligadas às terras raras.

O governo aponta a necessidade de estabelecer regras para evitar que empresas estrangeiras dominem de modo irrestrito a exploração de terras brasileiras, mantendo, porém, a gestão pública do setor. A articulação política ficou sob a responsabilidade do ministro Bruno Moretti, designado pelo Planalto para tratar do tema com a Câmara.

O PL 2780/2024 prevê incentivos à pesquisa, lavra e transformação dos minerais críticos e estratégicos, além de estruturar as cadeias produtivas associadas. O foco está na relevância geopolítica desses materiais para setores como transporte e tecnologia.

Críticos do texto ressaltam riscos à soberania nacional por não limitar plenamente a atuação de empresas estrangeiras nem prever contrapartidas suficientemente robustas. A defesa da gestão pública da mineração de terras raras permanece presente entre parlamentares de oposição e especialistas.

No embate interno, o PT apresentou proposta para que a CPRM passe a administrar reservas estratégicas por meio da Terrabras, alinhando diretrizes com a União. Contudo, há correntes do partido que defendem que a CPRM já poderia desempenhar esse papel, sem criação de uma nova estatal.

As forças políticas debatem ainda o desenho institucional do setor, com o objetivo de conciliar incentivos à inovação, controle governamental e participação privada, sem abrir espaço para inseguranças em relação à soberania.

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