- Lula lançou a segunda edição do Desenrola, em 4 de abril, buscando renegociação de dívidas para debelar a impopularidade, após a primeira edição de julho de 2023.
- O Brasil soma cerca de 80 milhões de inadimplentes (dívidas em atraso há mais de 90 dias) em março de 2026, com dívidas totalizando aproximadamente R$ 557 bilhões; quase metade dessas dívidas é com bancos, administradoras de cartão e financeiras.
- Em março de 2026, a inadimplência das pessoas físicas na carteira de crédito à livre disposição chegou a 7% do total, 1,3 ponto percentual acima de março de 2025.
- Empresas e economistas veem o Desenrola 2.0 como medida de curto prazo em contexto de juros altos e gasto público, com críticas sobre não atacar as causas estruturais do endividamento.
- A JPMorgan estima que bancos podem recuperar entre 5 e 10 bilhões com o programa, que oferece descontos de 30% a 90% com garantia do governo pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola Brasil 2.0, como medida para tentar reverter a impopularidade entre eleitores endividados. A iniciativa chega após a primeira edição, em julho de 2023, que, segundo o Banco Central, gerou mais dívidas do que negociações, configurando um efeito líquido negativo.
Ainda conforme dados oficiais, o total de inadimplentes no Brasil passou a cerca de 80 milhões em março de 2026, representando mais de metade da população adulta. O montante de dívidas chega a 557 bilhões de reais, com quase metade dessa soma vinculada a bancos, operadoras de cartão e financeiras. A inadimplência no sistema financeiro atingiu 7% do total em março de 2026, acima de 2025.
Na avaliação do governo, a crise atual tem causas externas, mas o Desenrola 2.0 mantém o foco na renegociação de dívidas sem atacar as causas estruturais. O programa anterior ajudou 15 milhões de brasileiros a renegociar 58 bilhões de dívidas, segundo o Banco Central, enquanto novas regras foram criadas para regular o relacionamento entre bancos e endividados.
Contexto e motivação
A medida é apresentada como resposta a a queda de poder de compra, com destaque para o peso do endividamento na renda familiar. Dados do BC indicam que quase metade da renda das famílias está comprometida com dívidas, elevando a pressão sobre políticas públicas. O governo afirma que a iniciativa busca apenas facilitar a renegociação, sem estimular consumo nem inflacionar juros.
Perspectivas econômicas e críticas
Estudos independentes apontam que o endividamento tem raízes estruturais, como educação financeira insuficiente e modelos de crédito que lucram com o atraso. Especialistas ressaltam riscos de depender apenas da renegociação para reduzir inadimplência a longo prazo. A autoridade monetária tem destacado a necessidade de observar impactos na inflação e na dívida pública.
Participação dos bancos e impactos
Avaliações de mercado indicam que bancos podem recuperar parte de créditos classificados como perdidos, com descontos entre 30% e 90% garantidos pelo FGO. Estima-se que a recuperação financeira para o sistema financeiro fique entre 5 e 10 bilhões de reais, dependendo do desempenho do programa.
Posição do governo
O governo atribui parte do endividamento à gestão pós-pandêmica e a fatores externos, mantendo o discurso de responsabilidade fiscal. O ministro da Fazenda afirmou que a renegociação nasceu de um diagnóstico do endividamento, sem detalhar resultados da edição anterior. O presidente enfatizou, em discurso público, a limitação de apostas com o Desenrola 2.0.
Metodologia da pesquisa
A AtlasIntel realizou a coleta com 5.008 entrevistados entre 22 e 27 de abril de 2026, com margem de erro de 1 ponto percentual e 95% de confiança. O levantamento foi contratado pelo instituto.
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