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Lula aposta em plano contestado para atrair votos de devedores

Desenrola 2.0 visa renegociar dívidas, após alta de inadimplência que atinge 80 milhões de brasileiros, sem enfrentar causas estruturais

Aposta de Lula para reeleição, Desenrola 2.0 carrega risco moral de aceitação da inadimplência (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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  • Lula lançou a segunda edição do Desenrola, em 4 de abril, buscando renegociação de dívidas para debelar a impopularidade, após a primeira edição de julho de 2023.
  • O Brasil soma cerca de 80 milhões de inadimplentes (dívidas em atraso há mais de 90 dias) em março de 2026, com dívidas totalizando aproximadamente R$ 557 bilhões; quase metade dessas dívidas é com bancos, administradoras de cartão e financeiras.
  • Em março de 2026, a inadimplência das pessoas físicas na carteira de crédito à livre disposição chegou a 7% do total, 1,3 ponto percentual acima de março de 2025.
  • Empresas e economistas veem o Desenrola 2.0 como medida de curto prazo em contexto de juros altos e gasto público, com críticas sobre não atacar as causas estruturais do endividamento.
  • A JPMorgan estima que bancos podem recuperar entre 5 e 10 bilhões com o programa, que oferece descontos de 30% a 90% com garantia do governo pelo Fundo Garantidor de Operações (FGO).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola Brasil 2.0, como medida para tentar reverter a impopularidade entre eleitores endividados. A iniciativa chega após a primeira edição, em julho de 2023, que, segundo o Banco Central, gerou mais dívidas do que negociações, configurando um efeito líquido negativo.

Ainda conforme dados oficiais, o total de inadimplentes no Brasil passou a cerca de 80 milhões em março de 2026, representando mais de metade da população adulta. O montante de dívidas chega a 557 bilhões de reais, com quase metade dessa soma vinculada a bancos, operadoras de cartão e financeiras. A inadimplência no sistema financeiro atingiu 7% do total em março de 2026, acima de 2025.

Na avaliação do governo, a crise atual tem causas externas, mas o Desenrola 2.0 mantém o foco na renegociação de dívidas sem atacar as causas estruturais. O programa anterior ajudou 15 milhões de brasileiros a renegociar 58 bilhões de dívidas, segundo o Banco Central, enquanto novas regras foram criadas para regular o relacionamento entre bancos e endividados.

Contexto e motivação

A medida é apresentada como resposta a a queda de poder de compra, com destaque para o peso do endividamento na renda familiar. Dados do BC indicam que quase metade da renda das famílias está comprometida com dívidas, elevando a pressão sobre políticas públicas. O governo afirma que a iniciativa busca apenas facilitar a renegociação, sem estimular consumo nem inflacionar juros.

Perspectivas econômicas e críticas

Estudos independentes apontam que o endividamento tem raízes estruturais, como educação financeira insuficiente e modelos de crédito que lucram com o atraso. Especialistas ressaltam riscos de depender apenas da renegociação para reduzir inadimplência a longo prazo. A autoridade monetária tem destacado a necessidade de observar impactos na inflação e na dívida pública.

Participação dos bancos e impactos

Avaliações de mercado indicam que bancos podem recuperar parte de créditos classificados como perdidos, com descontos entre 30% e 90% garantidos pelo FGO. Estima-se que a recuperação financeira para o sistema financeiro fique entre 5 e 10 bilhões de reais, dependendo do desempenho do programa.

Posição do governo

O governo atribui parte do endividamento à gestão pós-pandêmica e a fatores externos, mantendo o discurso de responsabilidade fiscal. O ministro da Fazenda afirmou que a renegociação nasceu de um diagnóstico do endividamento, sem detalhar resultados da edição anterior. O presidente enfatizou, em discurso público, a limitação de apostas com o Desenrola 2.0.

Metodologia da pesquisa

A AtlasIntel realizou a coleta com 5.008 entrevistados entre 22 e 27 de abril de 2026, com margem de erro de 1 ponto percentual e 95% de confiança. O levantamento foi contratado pelo instituto.

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