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Morre no Rio de Janeiro o jornalista Raimundo Pereira

Jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, 85 anos, figura da resistência à ditadura civil-militar, deixa legado de reportagem e ativismo democrático

Jornalista Raimundo Rodrigues Pereira morreu em 2 de maio, aos 85 anos. Foto: Memorial da Resistência/Divulgação
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  • Morreu no Rio de Janeiro, na manhã de sábado (2), o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85 anos, e foi cremado no bairro Caju.
  • Também conhecido por integrar a resistência à ditadura civil-militar instaurada após o golpe de 1964.
  • Foi expulso do Instituto Tecnológico de Aeronáutica ainda jovem e chegou a ficar preso no Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP).
  • Teve passagem pela imprensa tradicional e pela imprensa alternativa, dirigindo o jornal Movimento e trabalhando em Veja, Realidade, Ciência Ilustrada, Isto É e Folha da Tarde; também integrou Opinião (1972) e retornou à grande imprensa em 1981.
  • O legado de Pereira é lembrado como parte da resistência democrática e da atuação jornalística baseada em apuração objetiva e acessível.

Morreu na manhã deste sábado, 2, no Rio de Janeiro, o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85 anos. Ele ficou conhecido por atuar como parte da resistência da imprensa durante a ditadura civil-militar instaurada em 1964 e foi cremado no bairro do Caju.

Nascido em Exu, Pernambuco, Pereira criticou o poder desde jovem. Ainda estudante do ITA, foi expulso do instituto por manter posição pública contra o regime, o que o levou a atuar no jornal O Suplemento, feito por colegas da instituição.

Após o banimento, ficou preso no Deops/SP e, em 2009, o núcleo passou a abrigar o Memorial da Resistência de São Paulo. Foi transferido para a Base Aérea de Guarujá, onde permaneceu por cerca de dois meses.

Trajetória no jornalismo

Ingressou na USP, formou-se em Física e seguiu na imprensa quase por acaso. Iniciou como redator de revistas técnicas, atividade iniciada ao ministrar aula de matemática a um diretor. Em seguida, atuou em veículos como Veja, Realidade, Ciência Ilustrada, IstoÉ e Folha da Tarde.

Em 1972, passou a dirigir o Opinião, veículo da imprensa alternativa. Três anos depois, assumiu o Movimento, jornal que consolidou a atuação coletiva de movimentos sociais e políticos contra a ditadura. O movimento funcionou também como espaço de articulação e resistência.

A ABI e o SJPMRJ destacam que Pereira se manteve afastado de filiações partidárias, defendendo a democracia com apuração rigorosa e textos claros. A carreira na grande imprensa só se consolidou após o fim do Movimento, em 1981.

Segundo o SJPMRJ, o legado de Pereira está ligado à resistência democrática. O sindicato ressalta a atuação com palavras e reportagem, sem filiação a partidos, sempre buscando a defesa dos direitos e do espaço público.

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