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Policiais em serviço mataram 142 pessoas em três meses em São Paulo

Letalidade policial em São Paulo soma 142 mortes no primeiro trimestre de 2026, com apelo por saúde mental, controles e responsabilização robusta

Polícia Militar do Estado de São Paulo | Divulgação
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  • No primeiro trimestre, policiais em serviço mataram 142 pessoas no estado de São Paulo, 5 a mais que o mesmo período de 2025.
  • Policias fora de serviço registraram 33 mortes no mesmo intervalo, 4 a mais que em 2025.
  • Pela Polícia Militar, em serviço, o número de vítimas foi 134 no trimestre, igual ao registrado em 2025; fora de serviço, foram 29 mortes, 3 a mais que no ano anterior.
  • Os dados são do Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaesp, com informações repassadas pelas polícias Civil e Militar.
  • Especialistas e o ouvidor Mauro Caseri destacam a alta letalidade policial e defendem atenção à saúde mental, controle do uso da força e maior transparência e responsabilização.

O estado de São Paulo registrou 142 mortes decorrentes de intervenção policial (MDIPs) no primeiro trimestre de 2026, 5 a mais que no mesmo período de 2025. Entre policiais em serviço, foram 134 mortes, mantidas em igual patamar de 2025. Já entre policiais fora de serviço, o número subiu de 29 para 33, no mesmo recorte temporal.

O levantamento é do Ministério Público de SP, compilado pela Gaesp, com dados repassados pelas polícias Civil e Militar. Os MDIPs são acompanhados pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e pelo ouvidor da Polícia, com base em relatório dinâmico do MP.

O público alvo da pesquisa é a letalidade policial, medida a partir de ocorrências envolvendo agentes. As informações reforçam a necessidade de avaliação de políticas públicas, controle de uso da força e condições de trabalho dos agentes.

Mudança de cenário recente

Em comparação com governos anteriores, a atuação da Polícia Militar em serviço registrou queda entre 2019 e 2022, com reduções graduais. A partir de 2023, a letalidade policial voltou a crescer, chegando a 703 mortes em 2025 e 653 em 2024, segundo o MP.

O ouvidor Mauro Caseri afirmou que a violência policial não pode aumentar como regra. Ele citou impactos de saúde mental, salários, carga de trabalho e necessidade de controle de uso de força como fatores relevantes para o cenário atual.

Adilson Santiago, presidente do Condepe, classificou o quadro como crise de segurança pública, com crescimento da violência policial e violação de direitos. Ele ressaltou a desigualdade de tratamento entre populações negras e periféricas.

Para reduzir a letalidade, Caseri propõe melhoria das condições de trabalho, fiscalização do uso de câmeras, revisão de protocolos e maior transparência. Ele aponta fadiga e suporte institucional como fatores críticos que precisam de atenção.

Medidas em andamento

A SSP afirma que as ocorrências são investigadas com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Judiciário. O estado diz ter implementado medidas para reduzir a letalidade, com protocolos mais rigorosos e capacitação de agentes.

A SSP também mencionou a ampliação de tecnologias de menor potencial ofensivo, como espargidores, bastões retráteis e armas de incapacitação neuromuscular, com investimento superior a R$ 27,8 milhões. O objetivo é reduzir a necessidade do uso da força.

Segundo a secretaria, o programa Muralha Paulista integra dados e tecnologia para aumentar a eficiência das ações. O sistema já envolve mais de 125,5 mil câmeras conectadas a redes de monitoramento, com cobertura que ultrapassa 70% da população.

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