- Moveimento separatista de Alberta entregou cerca de 302 mil assinaturas para forçar um referendo de independência ainda neste ano, acima do mínimo de 177.732.
- Documentação foi entregue à Elections Alberta, em Edmonton; houve mais de 300 simpatizantes do lado de fora e o líder Mitch Sylvestre comparou o momento a uma final de Stanley Cup.
- O processo prevê verificação das assinaturas, análise da petição pela Assembleia Legislativa e encaminhamento a uma comissão, com Danielle Smith afirmando que, se validada, haverá referendo.
- Um juiz de Edmonton pode decidir, ainda nesta semana, sobre recurso de povos originários contrários ao referendo, alegando violação de tratados.
- Estima-se que entre 25% e 30% da população de Alberta apoia a independência; mesmo em caso de vitória, a separação exigiria negociações com o governo federal e enfrentaria resistência jurídica. Alberta é rica em petróleo, produz cerca de 4 milhões de barris diários, mas enfrenta déficit por redistribuição federal.
A organização Stay Free Alberta entregou cerca de 302 mil assinaturas à Elections Alberta, em Edmonton, para tentar convocar um referendo de independência ainda neste ano. A petição supera o mínimo de 177.732 nomes exigidos para abrir o caminho para o pleito.
Mitch Sylvestre, líder da Stay Free Alberta, chegou ao escritório da Elections Alberta com um comboio de sete caminhões. Mais de 300 apoiadores acompanharam a entrega, exibindo bandeiras da província e apoiando a separação do Canadá em frente ao prédio.
Sylvestre afirmou que o dia marca o início de uma fase decisiva, ao comparar o momento com a final de um campeonato esportivo. A declaração ocorreu durante o ato público, com o objetivo de pressionar as autoridades a avançarem com o processo.
Como funciona o processo de independência
Antes da votação, as assinaturas passam por verificação das autoridades eleitorais. A Assembleia Legislativa de Alberta deve analisar a petição, e o governo provincial pode encaminhar a proposta a uma comissão.
A premier Danielle Smith disse que, se as assinaturas forem validadas, haverá referendo. Ela mantém posição ambivalente: não admite apoiar a independência, mas critica o governo federal e reduziu o número de assinaturas necessárias para facilitar o pleito.
A aprovação do referendo, no entanto, pode enfrentar obstáculos jurídicos. A The Canadian Press informa que um juiz de Edmonton pode decidir ainda nesta semana sobre um recurso apresentado por First Nations contra a consulta.
Riqueza do petróleo e tensão com o governo federal
Estimativas indicam que 25% a 30% da população de Alberta apoia a independência. Especialistas destacam que, mesmo com vitória no referendo, a separação exigiria negociações com o governo federal e enfrentaria desafios legais indígenas.
Alberta detém grande riqueza petrolífera e produz cerca de 4 milhões de barris diários, comparável à produção de alguns países. O déficit orçamentário da província é atribuído pela prefeitura a políticas de redistribuição federal.
As insatisfações econômicas e fiscais, conforme o cientista Daniel Béland, estão ligadas a críticas ao tratamento do petróleo pela União. A premiê Smith aponta que medidas de governos anteriores prejudicaram a produção e exportação, gerando impactos financeiros para Alberta.
Entre na conversa da comunidade