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Província petrolífera do Canadá pode votar independência ainda este ano

Alberta coleta cerca de 302 mil assinaturas para referendo de independência; se validado, a consulta pode ocorrer já em outubro, segundo a Elections Alberta

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. (Foto: LUKAS COCH/EFE/EPA)
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  • Moveimento separatista de Alberta entregou cerca de 302 mil assinaturas para forçar um referendo de independência ainda neste ano, acima do mínimo de 177.732.
  • Documentação foi entregue à Elections Alberta, em Edmonton; houve mais de 300 simpatizantes do lado de fora e o líder Mitch Sylvestre comparou o momento a uma final de Stanley Cup.
  • O processo prevê verificação das assinaturas, análise da petição pela Assembleia Legislativa e encaminhamento a uma comissão, com Danielle Smith afirmando que, se validada, haverá referendo.
  • Um juiz de Edmonton pode decidir, ainda nesta semana, sobre recurso de povos originários contrários ao referendo, alegando violação de tratados.
  • Estima-se que entre 25% e 30% da população de Alberta apoia a independência; mesmo em caso de vitória, a separação exigiria negociações com o governo federal e enfrentaria resistência jurídica. Alberta é rica em petróleo, produz cerca de 4 milhões de barris diários, mas enfrenta déficit por redistribuição federal.

A organização Stay Free Alberta entregou cerca de 302 mil assinaturas à Elections Alberta, em Edmonton, para tentar convocar um referendo de independência ainda neste ano. A petição supera o mínimo de 177.732 nomes exigidos para abrir o caminho para o pleito.

Mitch Sylvestre, líder da Stay Free Alberta, chegou ao escritório da Elections Alberta com um comboio de sete caminhões. Mais de 300 apoiadores acompanharam a entrega, exibindo bandeiras da província e apoiando a separação do Canadá em frente ao prédio.

Sylvestre afirmou que o dia marca o início de uma fase decisiva, ao comparar o momento com a final de um campeonato esportivo. A declaração ocorreu durante o ato público, com o objetivo de pressionar as autoridades a avançarem com o processo.

Como funciona o processo de independência

Antes da votação, as assinaturas passam por verificação das autoridades eleitorais. A Assembleia Legislativa de Alberta deve analisar a petição, e o governo provincial pode encaminhar a proposta a uma comissão.

A premier Danielle Smith disse que, se as assinaturas forem validadas, haverá referendo. Ela mantém posição ambivalente: não admite apoiar a independência, mas critica o governo federal e reduziu o número de assinaturas necessárias para facilitar o pleito.

A aprovação do referendo, no entanto, pode enfrentar obstáculos jurídicos. A The Canadian Press informa que um juiz de Edmonton pode decidir ainda nesta semana sobre um recurso apresentado por First Nations contra a consulta.

Riqueza do petróleo e tensão com o governo federal

Estimativas indicam que 25% a 30% da população de Alberta apoia a independência. Especialistas destacam que, mesmo com vitória no referendo, a separação exigiria negociações com o governo federal e enfrentaria desafios legais indígenas.

Alberta detém grande riqueza petrolífera e produz cerca de 4 milhões de barris diários, comparável à produção de alguns países. O déficit orçamentário da província é atribuído pela prefeitura a políticas de redistribuição federal.

As insatisfações econômicas e fiscais, conforme o cientista Daniel Béland, estão ligadas a críticas ao tratamento do petróleo pela União. A premiê Smith aponta que medidas de governos anteriores prejudicaram a produção e exportação, gerando impactos financeiros para Alberta.

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