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Trump acusa fraude em ajuda alimentar; críticos dizem não haver evidência

Gestão Trump alega fraude no SNAP com dados não verificados; críticos dizem que não há evidência e alertam para impacto em famílias vulneráveis

Snap benefits advertised in the window of a store.
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  • A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, disse que 14 mil beneficiários do SNAP teriam possuído carros de luxo, como Ferrari, Bentley e Tesla, sem apresentar a fonte ou o estado envolvido.
  • A alegação foi baseada numa análise da Foundation for Government Accountability (FGA) e recebeu questionamentos sobre metodologia e dados, pois a FGA não divulgou detalhes nem os dados usados.
  • Críticos e congressistas argumentam que a acusação não tem comprovação e que serve para deslegitimar o programa de auxílio alimentar, que atende dezenas de milhões de americanos de baixa renda.
  • A USDA não comentou publicamente sobre as informações nem as verificou, enquanto pesquisadores destacam que, em 2024, muitos condados ainda não ofereciam SNAP a todas as pessoas abaixo da linha de pobreza.
  • Rollins afirmou que, desde a aprovação de uma lei de 2025, cerca de 4,3 milhões de americanos foram removidos do SNAP, sugerindo, sem provas, casos de fraude; especialistas contestam a magnitude e a veracidade dessas alegações.

O governo de Donald Trump ampliou sua ofensiva contra o programa de auxílio alimentar SNAP, de longe o maior da assistência social nos EUA. A ministra da Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que 14 mil beneficiários teriam veículos de luxo, como Ferraris e Teslas, entre os titulares do programa. A alegação não foi acompanhada de divulgação de fontes ou de dados verificáveis.

A acusação partiu de uma análise da Foundation for Government Accountability (FGA), ONG conhecida por defender cortes em programas sociais. O USDA, responsável pelo SNAP, não confirmou as informações nem as tornou públicas. Organizações de defesa social questionaram a pertinência e a metodologia do estudo.

Segundo autoridades e especialistas, não há transparência sobre a amostra, o estado e o vínculo entre indivíduos e registros de veículos. Críticos destacam que a narrativa pode servir a propostas de redução ou abandono do programa, que ampara dezenas de milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Jahana Hayes, parlamentar democrata, expressou ceticismo quanto aos dados e pediu cautela ao tratar casos de fraude. Ela lembrou que, quando há fraude comprovada, deve haver responsabilização individual, sem prejudicar famílias que dependem do SNAP para colocar comida na mesa.

Pesquisadores independentes apontaram a ausência de metodologia divulgada e alertaram para possível distorção das estatísticas. Eles destacaram que a confiança nas informações é fundamental para evitar comprometer a assistência a quem realmente necessita.

Dados oficiais indicam que a assistência é distribuída a milhões de pessoas com renda abaixo de 130% do nível de pobreza, com variações regionais e históricas. Em 2023, cerca de 42,1 milhões de pessoas receberam SNAP, com grande parte abaixo do nível de pobreza, segundo dados do governo.

O SNAP, com custo estimado de 57 bilhões de dólares anuais, vem sendo tema de disputa orçamentária. O governo argumenta que ajustes visam reduzir desperdícios, enquanto críticos afirmam que mudanças podem excluir famílias vulneráveis.

A reportagem também lembra que, segundo o USDA, fraudes ocorrem de modo relativamente infrequente, e que o próprio programa já implementa medidas para evitar abusos. A discussão envolve ainda o uso de dados de 2023 e projeções para 2024, sem divulgação de bases completas.

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