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Ação no Irã pode retirar de Trump o controle da Câmara e, talvez, do Senado, diz historiador

Historiador Allan Lichtman diz que a guerra no Irã e a resposta à covid-19 podem tirar o Partido Republicano do controle da Câmara e, ainda, do Senado

Lichtman: ‘Às vezes, medidas destinadas a dar vantagem ao seu partido, como os republicanos fizeram no Texas, por exemplo, acabam se voltando contra você’ — Foto: Divulgação
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  • Allan Lichtman prevê que o Partido Republicano pode perder o controle da Câmara e, talvez, do Senado nas eleições de novembro, baseado no seu método de 13 critérios para prever resultados.
  • Ele sustenta que a guerra no Irã e a resposta à pandemia de covid-19 foram erros de gestão da atual condução, prejudicando as chances de reeleição de Donald Trump em 2020 e, hoje, de forma semelhante, prejudicando o apoio ao partido.
  • Segundo o historiador, a saída de profissionais qualificados da Casa Branca deixou o governo menos estável e mais dependente de lealdades pessoais.
  • Lichtman aponta tentativas de manipular eleições, como redesenho de distritos, e afirma que os democratas podem retomar a Câmara; a chance de retomar o Senado existe, mas depende do desempenho diante de distritos vulneráveis.
  • O especialista diz que o movimento Maga permanece, sem um rosto claro para substituí-lo, e expressa pessimismo quanto ao estado atual da democracia americana.

Allan Lichtman, historiador da American University, aposta que o Partido Republicano pode perder a Câmara e, quem sabe, o Senado nas eleições de novembro. O especialista ficou conhecido pelo método das 13 chaves para prever resultados presidenciais, embora tenha errado em 2024.

Para Lichtman, a guerra no Irã é um problema similar ao da pandemia de covid-19, que, segundo ele, contribuiu para a derrota de Trump em 2020. O historiador afirma que decisões políticas ruins prejudicam a imagem do atual governo e favorecem a oposição.

Em entrevista por videoconferência, Lichtman relatou receber ataques pessoais, incluindo mensagens antissemíticas, após ter previsto derrota de Trump. O professor emérito de 79 anos reforça que mantém a prática de leitura histórica para entender o momento político.

O método dele, conhecido como “As Chaves da Casa Branca”, utiliza 13 critérios para avaliar se o partido no poder vencerá a eleição seguinte, com base em elementos como desempenho econômico e legitimidade democrática. Lichtman prepara seu 16º livro sobre violência política na história dos EUA.

Impactos da guerra e da gestão de crise

Lichtman sustenta que tanto a pandemia quanto a guerra no Irã revelam tomada de decisão desastrosa do governo. Segundo ele, o Irã não representava uma ameaça iminente e a condução das ações militares gerou desorganização econômica e mortes, prejudicando a imagem de Trump.

O historiador ressalta ainda que, no governo anterior, havia assessores qualificados próximos ao presidente, como John Kelly e James Mattis. Com a troca de estratégia, ele afirma que Trump passou a privilegiar lealdade na nomeação de cargos, o que, segundo o analista, enfraquece a governabilidade.

Para o pleito de meio de mandato, Lichtman afirma que os democratas podem retomar a Câmara, a menos que ocorram medidas extremas, como adiamento da eleição ou estado de lei marcial. Nessas hipóteses, as previsões sobre o Senado também mudariam.

Cenários para o Senado e a liderança conservadora

Segundo Lichtman, há possibilidades reais de os democratas vencerem o Senado, citando estados como Maine, New Hampshire e Iowa. Se o desempenho do partido permanecer acima do esperado, as chances de ocupação de cadeiras que hoje parecem improváveis aumentam.

Sobre a base de apoio a Trump, o historiador observa a continuidade do movimento Maga, mesmo com a saída do ex-presidente. Ele aponta a ausência de um líder carismático para substituir Trump e a fidelidade de parte da base ao projeto conservador.

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