- Senadores governistas dizem que a PEC da Segurança Pública não deve avançar antes de outubro, mantendo a tramitação parada na CCJ desde março.
- Com o texto sem andamento, aliados de Lula passam a priorizar pautas de popularidade, como o fim da escala 6×1.
- A responsabilidade pela escolha do relator e do rito da PEC depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que tem evitado confirmar o andamento.
- Messias sofreu derrota política inédita desde a Constituição de 1988, o que complicou a articulação do governo no Congresso e ampliou a autonomia de Alcolumbre.
- O governo trabalha para aprovar primeiro a agenda da escala 6×1, esperando avanço na Câmara e no Senado, mantendo a PEC da Segurança como tema mais complexo e de médio prazo.
A resistência interna ao avanço da PEC da Segurança Pública ganhou contornos mais claros no Congresso. Senadores governistas afirmam que a proposta não deve avançar antes de outubro, ainda sem tramitação na CCJ. A ideia é concentrar forças em pautas com apelo popular, como o fim da escala 6×1.
A Câmara aprovou a PEC em 4 de março e enviou ao Senado no dia 10, sem andamento. No momento, o texto não foi despachado para a CCJ, etapa inicial da tramitação. A decisão depende de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre relator e rito.
A postura de Alcolumbre acendeu especulações sobre a condução do tema. Lideranças ouvidas apontam que ele evita respostas objetivas e sinaliza não levar o tema à votação no estágio atual. A situação revela fragilidade da articulação do Planalto.
A derrota de Jorge Messias, assessor de Lula, revelou dificuldades de apoio no entorno do governo. Senadores dizem que Alcolumbre atuou nos bastidores para angariar votos dentro da base, alterando o equilíbrio de forças na Casa.
Essa dinâmica contribuiu para o desgaste da articulação política no Senado e para o atraso da PEC da Segurança. A prioridade de governo passou a ser a agenda com maior fácil obtenção de apoio público.
Prioridades do governo
A aposta é encampar a pauta da escala 6×1, que ganhou centralidade na definição de estratégias. Lideranças indicam reunião entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e Alcolumbre para alinhar tramitação entre as casas.
A equipe do governo acredita que o tema tem maior mobilização popular e menos resistência política que a PEC da Segurança. A ideia é aprovar a agenda na Câmara ainda em maio ou junho, com votação no Senado posteriormente.
A organização do governo envolve diálogo com governadores, alianças entre bancadas e a necessidade de quórum qualificado para avançar. Ao mesmo tempo, a proximidade das eleições freia matérias estruturantes.
Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, reconhece as dificuldades atuais. Em entrevista, ele destacou que o ambiente institucional é essencial e que o tema requer maturação além de maioria simples.
A pauta eleitoral, segundo aliados, explica a preferência por priorizar propostas com relação direta com a população, ao invés de enfrentar a resistência de temas mais sensíveis e custosos politicamente.
O tema da Segurança Pública continua em observação. Interlocutores do governo dizem que, com o adiamento, pode haver menos pressão para recriar o Ministério da Segurança, promessa de campanha vinculada à aprovação da PEC.
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