- Três anos após o início da violência étnico‑religiosa em Manipur, são mais de 300 igrejas destruídas e as mortes oficiais passam de 217, com estimativas superiores a 260.
- O conflito, que voltou a estremecer o estado em abril, envolve as três comunidades; nenhum alto funcionário foi processado nesse período.
- Em 7 de abril, dois menores foram mortos em um ataque com foguete; seus corpos só foram sepultados em 2 de maio, após 25 dias de negociação entre famílias e governo.
- A Suprema Corte ordenou novo exame forense sobre gravações de áudio que ligam um ex‑governador à violência; grupos Kuki‑Zo afirmam que não aceitam o retorno ao status anterior ao conflito.
- As ações de violência e ataques a aldeias levaram o estado a ficar dividido em três zonas distintas, com deslocados, casas destruídas e dificuldades de deslocamento entre regiões.
A violência étnico-religiosa em Manipur completa três anos neste maio, com o estado retomando ciclos de confrontos entre comunidades. Mais de 300 igrejas foram destruídas e a referência oficial aponta cerca de 217 mortes, com estimativas que passam de 260. Em abril, novos choques atingiram vários distritos, sem que autoridades de alto escalão tenham sido responsabilizadas.
Entre 2023 e 2025, a crise revelou profundas assimetrias entre o vale, dominado pela comunidade Meitei hindu, e as regiões montanhosas habitadas por tribos Kuki-Zo, Zomi e Naga, em maioria cristã. A morte de duas crianças em abril reacendeu a violência e gerou investigações forenses sobre gravações associadas a um ex-governador.
Em Manipur, o conflito não se restringe a disputas de terras: ele envolve disputas de poder político, identidades religiosas e proteção de territórios. O Estado, com cerca de 3 milhões de habitantes, faz fronteira com Myanmar e mantém o vale fértil onde os Meitei detêm influência legislativa e administrativa, contrastando com as regiões tribais em maioria cristã.
Contexto regional
As tribos Kuki-Zo, Naga e Zomi tinham, até recentemente, o status de Tribos/Tribo Agendada, o que restringia empregos públicos e acesso à educação. Em 2023, uma decisão judicial parecia ampliar esse status aos Meitei, o que alarmou as comunidades tribais, levando a mobilizações que culminaram na violência de maio de 2023.
Desdobramentos e impactos
Entre os impactos, destacam-se a destruição de dezenas de prédios religiosos, deslocamento de milhares de famílias e mortes ocorridas em confrontos entre grupos. A violência atingiu até mesmo comunidades Meitei de fé cristã, revelando uma dimensão sectária que extrapola rivalidades locais.
O governo central e o governo estadual entraram em negociações fracas ou interrompidas, com críticas à resposta pública. Em 2025, após três anos de crise, o estado passou a administrar-se sob nova liderança do BJP, enquanto comunidades pedem maior controle central ou reconfiguração administrativa para garantir segurança e justiça. Entre as demandas está a criação de territórios da União com legislaturas locais para áreas montanhosas.
Situação atual e perspectivas
Novas tentativas de diálogo ocorreram em Nova Déli entre o governo e grupos armados Kuki-Zo, com pedidos por ações mais firmes de proteção, responsabilização de incidentes de violência e reparações para as famílias afetadas. O consenso entre líderes cristãos e organizações civis aponta para a necessidade de reconciliação, reconstrução de confiança e participação efetiva da comunidade local nas decisões de segurança.
A crise persiste, e relatos de ataques, incêndios e deslocamentos continuam a compor o dia a dia em várias regiões de Manipur. Organizações de direitos humanos e religiosas alertam para o uso político da violência e destacam a importância de uma solução que envolva diálogo, reparação e mecanismos de proteção a longo prazo.
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