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Quaest: PT fala para eleitorado cada vez menor ao propor jornada regular

Nunes diz que o PT não dialoga com motoristas por aplicativo, MEIs e autônomos; 2026 dependerá do novo perfil do mercado de trabalho, não da CLT

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  • Felippe Nunes afirma que o eleitor definidor das eleições não é mais o operário nem o funcionário público, e sim o trabalhador de plataformas, MEIs e autônomos; o PT ainda não sabe conversar com esse público.
  • Segundo o pesquisador, medidas como isenção de imposto de renda para salários até cinco mil reais e a discussão sobre jornada 6×1 não elevam a popularidade, pois há distância entre ações do governo e percepção no bolso.
  • O PT é visto como modelo político ainda centrado no trabalho formal; o Brasil mudou e a eleição de 2026 pode depender do mercado de trabalho de plataformas e autônomos.
  • Trabalhadores de plataformas digitais, majoritariamente das classes D e E, buscam autonomia e rejeitam vínculo empregatício; para esse público, regulação é vista como entrave, não proteção.
  • A percepção de que o poder de compra piorou, apesar de números macro positivos, somada à desconfiança de que o governo não cumpre promessas, coloca o desafio da credibilidade como central para 2026.

O tema central da entrevista é a transformação do mercado de trabalho e seu impacto na disputa eleitoral. Felipe Nunes, cientista político e sócio da Quaest, afirma que a pauta trabalhista deixou de privilegiar o trabalhador formal e passa a envolver motoristas de aplicativo, MEIs e autônomos. O PT, segundo ele, ainda não encontrou linguagem para esse eleitor.

Nunes aponta que mudanças estruturais no mercado de trabalho vão definir as próximas eleições. Ele sustenta que propostas como regulação da jornada, carteira assinada e Desenrola não alcançam o mesmo grupo que ganha menos renda, o que reduz a percepção de benefício entre eleitores.

Segundo o pesquisador, o eleitor atual se reconhece como empreendedor ou trabalhador de plataformas digitais, com menor identificação com sindicatos tradicionais. Ele afirma que o PT precisa adaptar sua comunicação para manter relevância entre esse segmento, que cresce com a economia de aplicativos.

O autor de Brasil no Espelho avalia que o desempenho macroeconômico é visto por muitos como positivo, mas a renda real e o custo de vida pesam. Para ele, “macro bom com micro ruim” explica parte da queda de popularidade do governo, mesmo com indicadores amplos favoráveis.

Mudanças no perfil do eleitor e o papel do governo

Nunes destaca que a geração jovem, formada em parte por diplomas universitários, sofre com a promessa não cumprida de ascensão social. A busca por autonomia entre trabalhadores de plataformas é vista como ameaça por quem defende vínculos formais. O governo precisaria dialogar com esse público de forma diferente.

Ele também comenta a relação entre percepção de políticas públicas e intenção de voto. Mesmo com benefícios como a isenção de IR para parte da renda, a distância entre a implementação e o impacto percebido no bolso fragiliza a popularidade. A leitura é de que a credibilidade é crucial para a adesão às mensagens governamentais.

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