- Selma Dealdina Mbaye, nascida em um quilombo no Espírito Santo, coordena o Coletivo de Mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e atua pela pauta de gênero, raça e território.
- A trajetória começou na infância na roça, com dificuldades para comer e estudar, e aprendizado de leitura e escrita pela mãe; enfrentou racismo e padrões de beleza que valorizavam cabelos loiros.
- Na militância, criou um grêmio estudantil na escola, atuou em políticas para mulheres no Espírito Santo e, em Brasília, passou a articular políticas da CONAQ, defendendo direitos quilombolas.
- No campo editorial, organiza a obra Mulheres Quilombolas: Territórios de Existências Negras Femininas, publicada pela Editora Jandaíra, reunindo artigos sobre as vivências das comunidades negras rurais.
- Atualmente, Selma se prepara para se mudar ao Quilombo Mesquita, próximo a Brasília, com foco em continuar a luta pela visibilidade da pauta quilombola e em escrever sobre o Sapê do Norte, território no norte do Espírito Santo.
Selma Dealdina Mbaye nasceu em um quilombo no Espírito Santo e hoje coordena o Coletivo de Mulheres da CONAQ, defendendo direitos de gênero, raça e território. Sua trajetória percorre áreas de atuação política, mobilizações e diálogo com o Estado para ampliar a participação das comunidades negras rurais.
Nascida no Quilombo Angelim III, Selma cresceu na roça e iniciou trabalhos desde cedo. Aos 9 anos ajudava na casa de vizinha por comida; aos 10, passou pela escola da região, onde aprendeu a ler e escrever, fortalecendo a visão de enfrentar obstáculos sociais.
Ao longo dos anos, Selma percebeu o racismo presente na escola, nas festas e nas escolhas de aparência. A conscientização veio com a militância e com referências de mulheres negras que passaram a inspirá-la a buscar espaços de expressão e participação política.
Infância e formação
Selma cresceu como a mais velha de seis filhos, aprendendo desde cedo a lidar com privações. A mãe, que estudou pouco, ensinou os filhos a escrever o próprio nome e a valorizar o esforço. A mudança para a cidade trouxe novas dificuldades, inclusive na alimentação.
Aos poucos, a realidade fora do quilombo revelou desigualdades raciais e sociais. O enfrentamento de barreiras se tornou pauta constante na vida da então menina, que passou a buscar formas de se afirmar e de lutar por direitos básicos.
Militância e atuação pública
Formada no movimento de comunidades negras rurais, Selma tornou-se figura central na CONAQ. Circula entre Brasília e territórios quilombolas, defendendo pautas internacionais e negociando com o governo para ampliar políticas públicas.
Ela coordena o Coletivo de Mulheres da CONAQ, promovendo oficinas, marchas e ações que defendem aborto seguro, cuidados a crianças quilombolas autistas e proteção de mulheres vítimas de violência e feminicídio. Também integra entidades como a Anistia Internacional.
Vida pessoal e maternidade
Aos 43 anos, Selma vivenciou uma gravidez de alto risco e sofreu um aborto em novembro de um ano recente. O motivo está ligado a condições de saúde e à idade, com impacto emocional e nos laços familiares. O falecimento da mãe em 2019 também marcou profundamente.
Selma mantém vínculos com o Espírito Santo, onde recarrega as energias, e adotou uma jovem chamada Natália, filha de amigos. Atualmente, planeja retornar a escrever sobre a luta quilombola e manter o elo com as origens.
Perspectivas e próximos passos
Com 44 anos, Selma se prepara para mudar para o Quilombo Mesquita, nas proximidades de Brasília, para estar mais próxima de suas raízes. O objetivo é fortalecer ações militantes e retomar a produção de textos sobre as condições do Sapê do Norte.
Entre as metas, está ampliar a visibilidade da pauta quilombola e promover uma transformação real na vida das comunidades. Ela expressa uma visão de continuidade da luta, visando um país mais justo para as futuras gerações.
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