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Esquema na Educação que levou à prisão de deputado se espalhou pelo Rio, diz PF

PF aponta que esquema de fraudes em reformas de escolas públicas no Norte Fluminense pode abranger o estado; deputado Thiago Rangel é preso.

Deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ) (Reprodução/Instagram/@thiagorangeloficial)
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  • A Polícia Federal prendeu o deputado Thiago Rangel (Avante) e mais seis pessoas na quarta fase da Operação Unha e Carne, ligada a fraudes em reformas e contratação de serviços para escolas estaduais no Norte Fluminense.
  • A PF acredita que o esquema envolvia direcionar obras para empresas pré-definidas, com recursos públicos desviados, e que o organograma criminoso pode ter alcance em todo o estado do Rio de Janeiro.
  • Rangel atuava em Campos dos Goytacazes e região, sendo considerado peça central do esquema na área de influência dele, segundo a investigação.
  • Foram cumpridos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em várias cidades; houve afastamento do parlamentar e relação com o ex-deputado Rodrigo Bacellar, já preso.
  • Entre as empresas citadas, há uso de sociedades registradas em nomes de terceiros para movimentar valores; os desvios envolvem recursos da educação, com repasses de centenas de milhares de reais em transações entre 2023 e 2025.

A Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) na manhã de terça-feira em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. A ação faz parte da quarta fase da Operação Unha e Carne, que mira um esquema de fraudes em contratos de reformas e serviços em escolas estaduais. A PF afirma que o organograma pode abranger todo o Rio de Janeiro, com ligações a Rodrigo da Silva Bacellar.

Segundo a investigação, o esquema consistia no direcionamento de obras de reformas em escolas públicas da região Norte Fluminense para empresas pré-ajustadas, ligadas aos integrantes da organização criminosa. O objetivo seria viabilizar o desvio de recursos públicos para membros do grupo.

A PF aponta que Thiago Rangel, em Campos e adjacências, passou a administrar a parte do esquema sob sua influência política regional. A polícia lembra que o trabalho teria sido compartilhado com outros políticos da base de Bacellar, reforçando a rede no estado.

Operação Unha e Carne

Agentes cumpriram mandados de prisão preventiva contra Rangel e mais seis pessoas. Também foram emitidos 23 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio, em Campos, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. A decisão incluiu o afastamento de Rangel da função pública.

Entre os arquivos apreendidos no computador ligado ao ex-presidente da Alerj, havia uma planilha com a relação de deputados estaduais e indicações para cargos estratégicos. Dados reunidos embasaram a expedição de mandados.

No âmbito da Educação, o FBI descreve o direcionamento de obras para empresas escolhidas pela organização, viabilizando supostas fraudes em licitações e contratos. A operação também envolve o ex-deputado Rodrigo Bacellar, preso anteriormente, e cita o ambiente da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc).

Rangel é apontado como peça central do esquema na região de Campos e do Noroeste Fluminense. O relatório indica uso de cargos para nomeação de aliados e facilitar o desvio de recursos. O patrimônio do deputado, que era de 92 mil reais em 2019, cresceu para 3,1 milhões em 2023.

Entre as empresas citadas, algumas têm como sócia a mulher de Luiz Fernando Passos de Souza, apontado como operador financeiro. Conversas apreendidas sugerem manipulação de licitações e divisão de valores após contratos assinados, com menções a saques em dinheiro vivo.

Outras empresas envolvidas incluem E H Almeida Reformas e Construções Ltda e E H Almeida de Souza Casas de Festas, ligadas à família citada, além da T.H. Rio Administração e Participações Ltda, gerida pelo deputado. Repasses financeiros somaram centenas de milhares de reais em diferentes períodos.

Além de Rangel, foram presos Fábio Pourbaix Azevedo, Rui Carvalho Bulhões Júnior, Júcia Gomes de Souza Figueiredo, Marcos Aurélio Brandão Alves e Vinicius de Almeida Rodrigues. Os investigados respondem por organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

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