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Presidente do TST que se declara vermelho é alvo de controvérsia por tráfico

Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, que se define como "vermelho", recebeu mais de R$ 140 mil no contracheque em março, gerando críticas sobre imparcialidade

Luiz Philippe Vieira de Mello Filho: presidente do TST já deu declarações políticas, adotou posições controversas e fez críticas aos próprios benefícios da magistratura — enquanto recebe vencimentos elevados (Foto: Bárbara Cabral/TST)
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  • O ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, de 65 anos, é presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) desde agosto de 2025, eleito por unanimidade.
  • Ele se identifica como parte da atuação “vermelha” e critica o “capitalismo selvagem”, defendendo a visão de justiça social, mesmo recebendo, no fim de março, salário acima de R$ 140 mil.
  • Em 2023, abriu o gabinete para Luciane Barbosa Farias, condenada por lavagem de dinheiro e ligação com o crime organizado, conhecida como “Dama do tráfico”.
  • Envolveu-se em controvérsias com a Federação das Indústrias do Pará (Fiepa) e costuras institucionais, além de viagem oficial a Belém sem agenda que gerou gasto de R$ 17,4 mil.
  • A trajetória do presidente do TST faz parte de uma dinastia que atua no Judiciário há oito décadas, com familiares ocupando cargos no tribunal e em órgãos ligados.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, de 65 anos, ganha notoriedade por assumir posições públicas a favor do que chama de causa “vermelha”, ao mesmo tempo em que recebeu mais de R$ 140 mil em salário no fim de março. O magistrado chegou ao topo da carreira após trajetória ligada ao PT e à reforma sindical.

Vieira de Mello integra uma verdadeira dinastia jurídica: pai, irmão e irmã atuam ou atuaram no Judiciário, mantendo o sobrenome presente na Justiça trabalhista mineira há oito décadas. Nomeado ao TST em 2006, indicado por Lula, ele presidiu o tribunal em agosto de 2025 após eleição unânime.

A declaração que virou debate

Durante o encerramento do maior congresso de juízes trabalhistas, o presidente afirmou: “Nós, vermelhos, temos causa”. A fala reacendeu críticas sobre a imparcialidade da magistratura. Em seguida, o ministro tentou recuar, dizendo que poderia ser cor-de-rosa, mistura de cores.

Ex-presidentes do TST criticaram a posição. O partido Novo protocolou reclamação disciplinar no CNJ. Internamente, a ministra Maria Cristina Peduzzi ressaltou que todos atuam em nome da Justiça, sem tutelar escolhas políticas.

O episódio com Luciane Farias

Em 2023, Vieira de Mello, à época conselheiro do CNJ, recebeu em seu gabinete Luciane Barbosa Farias, identificada como representante de ONG de apoio a parentes de presos. Ela é condenada por lavagem de dinheiro e ligação com o Crime Organizado, associada ao grupo Comando Vermelho no Amazonas.

A reunião foi classificada como regular pela agenda pública, mas o CNJ reconheceu posteriormente que o encontro não havia sido marcado oficialmente. Luciane também apareceu em agendas do Ministério da Justiça, gerando constrangimento ao governo petista.

A controvérsia da Fiepa e o custo da viagem

Entre 2022 e 2024, a Federação das Indústrias do Pará enfrentou disputas internas sobre o controle do orçamento, incluindo Sesi e Senai regionais. Vieira de Mello, como corregedor, validou a solução temporária, depois trocou de posição e devolveu a gestão à parte contestada, gerando questionamentos ao STF.

Questionado, o magistrado explicou que uma viagem não agendada a Belém, custando R$ 17,4 mil, visava ouvir envolvidos no processo. A defesa citou irregularidades imputadas ao desembargador afastado, sem esclarecimentos adicionais do TST.

Três gerações no Judiciário

O histórico familiar envolve três gerações ligadas à magistratura trabalhista de Minas Gerais. O pai e o irmão de Vieira de Mello ocuparam posições relevantes no TST e no TRT. A continuidade da atuação do clã é apontada como marca de uma linha de atuação no Judiciário.

Ponto de vista sobre reforma trabalhista

O ministro tem criticado aspectos da reforma trabalhista de 2017, defendendo alterações que reduzam encargos para empregadores e criticando a ideia de remuneração atrelada a atividades extracurriculares. A visão divide opiniões sobre o equilíbrio entre justiça social e eficiência econômica.

Transparência, remuneração e críticas

Vieira de Mello também defenderia o fim de penduricalhos salariais para juízes e rejeitaria palestras pagas a advogados. Ainda assim, o contracheque referente ao fim de março apontou salário de R$ 144 mil, gerando descrédito entre setores que cobram maior austeridade.

A Gazeta do Povo contactou a assessoria do TST para entrevista, mas não houve retorno até a conclusão desta matéria. As informações universais foram checadas com fontes oficiais e repassadas pela imprensa.

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