- Em maio de 2025, Friedrich Merz assumiu o governo da Alemanha com a meta de frear o avanço da AfD e agir de forma diferente do antecessor Scholz.
- Um ano depois, o governo Merz enfrenta crise por disputas internas entre CDU/CSU e SPD, com a AfD liderando pesquisas em vários cenários eleitorais.
- O governo aprovou um Fundo Especial para Infraestrutura de 500 bilhões de euros ainda antes de tomar posse; as reformas prometidas ficaram paralisadas e não foram implementadas em 2025.
- A política migratória foi endurecida, reduzindo chegadas de imigrantes, mas isso não se refletiu em alta popularidade de Merz nas sondagens.
- A proximidade de eleições estaduais em Saxônia-Anhalt impõe pressão; pesquisas indicam queda de apoio ao governo e avanço da AfD, que lidera intenção de voto.
Friedrich Merz assumiu a chanceleria da Alemanha em maio de 2025, buscando frear o crescimento da AfD e colocar o governo nos trilhos. Um ano depois, a coalizão CDU/CSU e SPD enfrenta crises internas, enquanto a ultradireita avança nas pesquisas.
O objetivo inicial era conter a AfD com uma linha de governo firme, evitando disputas públicas entre as forças da coalizão. Merz afirmou que divergências devem ser resolvidas internamente e apresentadas ao público em conjunto.
Apesar das promessas, o governo continua marcado por atritos entre CDU/CSU e SPD, o que alimenta a percepção de instabilidade. A AfD passa a liderar quase todas as sondagens, superando a CDU em várias medições.
Imigração em queda, mas sem ganhos para Merz
Ao chegar ao poder, Merz apostou em uma postura mais rígida na área migratória para conter a AfD. Houve queda no fluxo de imigrantes, efeito que o governo cita como resultado de suas políticas.
Entretanto, especialistas alertam que o efeito na popularidade do chanceler é limitado. Pesquisas indicam que governanças com alinhamento a posições de populistas de direita costumam fortalecer esse campo político, independentemente dos resultados.
Conflitos dentro do governo podem gerar a percepção de menor capacidade de gestão, apontam analistas. A relação entre medidas de imigração e avaliação pública permanece ambígua.
Brigas entre os parceiros da coalizão
O governo começou com uma folga de eleições estaduais e sem pressão imediata por resultados. Um Fundo Especial para Infraestrutura de 500 bilhões de euros ampliou investimentos, gerando críticas por seu elevado endividamento.
A primeira crise ganhou força na votação para a nomeação de um juiz para a Suprema Corte, com oposição interna entre conservadores e membros do SPD. Divergências ideológicas se estenderam por meses.
As reformas prometidas — saúde, aposentadorias, assistência social e burocracia — frearam-se nas comissões. O “outono das reformas” foi adiado, deixando as principais mudanças sem implementação no início de 2026.
Panorama político e eleitoral
As primeiras eleições estaduais em Renânia-Palatinado e Baden-Württemberg agravaram tensões internas: o SPD sofreu derrotas, enquanto a CDU não consolidou as vitórias esperadas. A situação se complicou com uma crise energética global após ações do governo americano.
A conjuntura atual coloca a Alemanha diante de um cenário desafiador: a coalizão precisa avançar com reformas até setembro, data de uma próxima eleição estadual na Saxônia-Anhalt, onde a AfD lidera as pesquisas.
Cenário de pesquisas e projeções
Atualizações de sondagens indicam queda de popularidade de Merz, com baixos índices de aprovação e insatisfação ampla entre o público. A AfD aparece na liderança nas intenções de voto, seguida pela CDU/CSU, com o Verde e o SPD atrás.
Especialistas destacam que a AfD mantém base fiel e cresce entre eleitores jovens, beneficiada pela crise de governabilidade. O partido não depende apenas de protesto eleitoral, consolidando-se como principal força de oposição.
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