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Cidade inteligente prioriza pessoas, não carros, afirma Sérgio Avelleda

Especialista em mobilidade critica São Paulo por priorizar carros, aponta planejamento urbano inadequado e cobra foco em transporte público e mobilidade ativa

'A inovação está ligada à coragem de fazer coisas que às vezes são muito simples, como ciclovias', diz Avelleda
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  • Sérgio Avelleda afirma que São Paulo vive o “caos” do trânsito por priorizar automóveis e por um planejamento urbano inadequado.
  • aponta dois erros históricos: urbanismo que levou pessoas a morar longe do trabalho e investimento central no carro como solução.
  • destaca avanços e limitações: integração do bilhete único com o sistema de trilhos foi marco, mas a integração ficou aquém hoje e o aumento da velocidade reduziu mortalidade entre 2013 e 2016, ainda que os índices voltem a subir.
  • defende que cidade inteligente não depende só de tecnologia: prioridade ao transporte público, mobilidade ativa e políticas que promovam sustentabilidade, inclusão social e segurança.
  • propõe caminhos para o futuro: mover o eixo de desenvolvimento para aproximar trabalho e moradia, ampliar ciclovias e reduzir espaço para automóveis, evitando contradições como estímulos a motos enquanto se investe em metrô.

Sérgio Avelleda, ex-secretário municipal de Transportes, afirma que São Paulo ainda prioriza carros e vive o caos no trânsito. O especialista lidera o Núcleo de Mobilidade Urbana do Laboratório Arq. Futuro de Cidades do Insper. Avelleda comenta sobre políticas públicas e IA para redesenhar a cidade.

Para o pesquisador, inovação urbana não depende apenas de sensores ou robôs. Ele defende prioridade a ônibus, bicicletas e pedestres, como caminho para melhorar mobilidade, inclusão social e meio ambiente. O diagnóstico é de que a cidade está saturada pelo modelo de automóveis.

Avelleda participa do São Paulo Innovation Week, festival de tecnologia que ocorre de 13 a 15 de maio, na Arena Pacaembu e na Faap. O evento é organizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos e reúne especialistas de tecnologia.

Visão sobre mobilidade e planejamento urbano

O ex-secretário aponta que o planejamento urbano está na raiz dos problemas. Moradias distantes do trabalho ampliam deslocamentos e congestionamentos, gerando um ciclo vicioso de mobilidade ruim. Ele cita a concentração de empregos em áreas centrais como fator-chave.

Ele critica a prioridade histórica aos automóveis desde o século passado. Segundo ele, ampliar vias para carros tende a piorar o trânsito. Avelleda também ressalta a importância de integrar serviços públicos, como bilhetes de transporte, e de centralidades econômicas em diferentes regiões.

Avanços e retrocessos recentes

Positivamente, ele destaca a integração do bilhete único com o sistema de trilhos na última década. Contudo, aponta retrocessos com a não integração entre bilhetes estaduais e municipais. Avelleda também elenca que reduções de velocidade entre 2013 e 2016 contribuíram para queda de mortes, mas esse ganho se perdeu.

Ele cita a necessidade de ciclovias como exemplo de inovação simples, porém eficaz. Defesa de políticas públicas mais ambiciosas para ampliar o transporte público e facilitar a mobilidade ativa persiste como eixo central.

Inteligência Artificial e sustentabilidade

Para o especialista, a IA pode acelerar decisões eficientes desde que orientada pela finalidade correta. Cidade inteligente, segundo ele, é aquela que prioriza sustentabilidade, inclusão social e segurança de pedestres e usuários do transporte público.

Avelleda afirma que eletrificação de frotas é apenas parte da solução. Incentivos para motos e autossustentação do transporte privado devem ser repensados, com foco na qualidade e rapidez do transporte público. A ideia é reduzir uso de carros com políticas consistentes.

Desafios futuros

O pesquisador alerta para o aumento global de carros e motos, projetando crescimento até 2050 se não houver mudança de hábitos. Ele enfatiza a necessidade de políticas que aproximem moradia do trabalho e promovam a centralidade econômica em mais regiões da cidade.

Ele mantém a visão de que a transformação depende de coragem política para priorizar mobilidade ativa e transporte público. Segundo ele, isso pode tornar a inovação urbana mais efetiva, mesmo sem grandes investimentos tecnológicos.

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