- O ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, é réu por violação sexual mediante fraude envolvendo uma paciente, e há ao menos outras três denúncias de crimes sexuais durante atendimentos no Paraná.
- O médico foi preso preventivamente em Curitiba, no dia 6, mas foi solto no dia seguinte após decisão da Justiça; a defesa nega as acusações.
- As denúncias envolvem atendimentos em clínicas da região centro-sul do estado; há relatos de massagens e toques indevidos durante exames e partos.
- A primeira denúncia é de 2011, em Teixeira Soares, quando a vítima estava em trabalho de parto; o crime prescreveu após aplicação de redução de prazo pela idade, resultando na extinção de punibilidade.
- A investigação aponta, também, relatos de casos de 2011 e 2016 que, embora prescritos, foram ouvidos para fortalecer o padrão de comportamento; o CRM-PR mantém o registro regular do médico.
Foi instaurada investigação contra o ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, após quatro pacientes denunciarem crimes sexuais ocorridos durante atendimentos no Paraná. O caso envolve acusações de violação sexual mediante fraude durante exames e trabalho de parto. Ele chegou a ser preso preventivamente em Curitiba na última quarta-feira, 6, mas foi solto na quinta, 7, por decisão da Justiça. A defesa nega as acusações.
Lucas atua na medicina há mais de cinco décadas e tem carreira marcada por atuação pública no estado. Formado em 1974 na Faculdade Evangélica Mackenzie, ele nasceu em Rio Azul, no sudoeste do Paraná, em dezembro de 1944. Em 2024, recebeu o Jubileu de Ouro do CRM-PR, reconhecimento aos 50 anos de profissão.
Prisão e investigações
A prisão ocorreu por um caso de 2011 registrado em Teixeira Soares, cidade próxima a Irati, revelado após novas denúncias em abril. A vítima, que estava em trabalho de parto, afirmou que o médico tocou a região externa da genitália durante um exame, sendo interrompido apenas pela entrada de uma enfermeira. A polícia enquadrou o caso como estupro de vulnerável, mas houve prescrição.
Em decisão de soltura, o juiz substituto declarou que o crime prescreveu, aplicando redução de prazo pela idade de Lucas. O Ministério Público questiona a extinção da punibilidade, que não impede novas apurações sobre o médico. A autoridade também aponta possibilidade de continuidade delitiva com base em investigações em andamento.
A primeira denúncia chegou sete dias após o suposto fato: uma mulher de 24 anos relatou massagens íntimas durante exame ginecológico de rotina, sob pretexto de estimular a libido, com o filho de 5 anos presente no consultório. O caso resultou no enquadramento do médico como réu por violação sexual mediante fraude.
Além desse caso, a polícia investiga relatos de 2011 e 2016. Em ambas, as vítimas relatam massagens e toques indevidos em áreas sensíveis, acompanhados de dor. Embora os casos estejam prescritos, depoimentos econômicos foram ouvidos para fortalecer o possível padrão de conduta.
Defesa e situação profissional
A defesa afirma que o médico não cometeu crimes sexuais ao longo da carreira e que as acusações são infundadas. O advogado afirma que medidas legais serão adotadas para preservar a honra e as garantias constitucionais do médico. Sobre a prisão, a defesa sustenta que a medida foi desproporcional, pois os eventos ocorreram há mais de uma década.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná foi consultado para confirmar se há investigação administrativa sobre Lucas e se ele continua exercendo a medicina. A inscrição dele segue regular no CRM-PR, segundo apuração da reportagem. Segundo uma fonte, a Justiça aceitou afastamento dele das funções em Irati, conforme decisão policial.
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