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Mapa de Risco aponta queda do charme eleitoral de Lula, diz cientista político

Desgaste por mensalão, Lava Jato e crise fiscal reduz capacidade de expansão de apoio de Lula, tornando a eleição de 2026 mais polarizada e competitiva

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  • Lula perdeu o “charme eleitoral” de 2010 e chega à eleição de 2026 com espaço menor para expansão de apoio.
  • Desgaste vem de mensalão, Lava Jato e crise fiscal, que consolidaram uma rejeição mais difícil de reverter.
  • A polarização atual coloca Lula e Bolsonaro como os principais campos, com grande parte do eleitorado já concentrada neles.
  • O governo aposta em medidas como crédito, Programa Minha Casa Minha Vida, renegociação de dívidas e linhas para microempreendedores para reconquistar segmentos específicos, mas o efeito tende a ser limitado.
  • A eleição deve ser mais desafiadora para o PT, que pode depender de deslocamentos eleitorais muito pequenos para vencer.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encara a eleição de 2026 com um cenário bem diferente daquele que o aproximou de alta popularidade em 2010. Analistas apontam desgaste acumulado por problemas como o mensalão, a Lava Jato e a crise fiscal, que reduziram a capacidade de atração eleitoral do petista. A avaliação aparece no contexto do Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, realizado na sexta-feira.

Para o cientista político Cristiano Noronha, da Arko Advice, Lula perdeu o “charme eleitoral” que tinha ao deixar a Presidência em 2010. Segundo ele, a combinação de escândalos de corrupção, queda econômica e radicalização política alterou de forma estrutural a relação com parte do eleitorado. Em 2010, Lula encerrou o mandato com aprovação próxima de 80%.

Polarização limita crescimento

Noronha aponta que, desde os escândalos do mensalão, a imagem do petista vem se deteriorando e se aprofundando após a Lava Jato e a crise econômica da era Dilma Rousseff. A leitura é de que a rejeição a Lula se tornou mais cristalizada e resistente a estratégias tradicionais de recuperação da popularidade.

Ele afirma ainda que a polarização permanente no país reduz o espaço para crescimento orgânico de aprovação, mesmo em fases de melhora econômica. Segundo o analista, Lula e Bolsonaro hoje concentram entre 75% e 80% do eleitorado, mudando a disputa para uma luta de margens.

Pacote econômico e perspectiva

A estratégia do governo para recompor apoio envolve o uso de medidas voltadas a classes mais vulneráveis, como crédito, expansão do Minha Casa Minha Vida, renegociação de dívidas e linhas para microempreendedores. A intencão é mirar segmentos da classe média baixa e eleitores endividados, buscando ganhos pontuais em um pleito apertado.

No entanto, Noronha descreve o potencial efeito como limitado, comparando o esforço a uma “bala de canhão” que mira poucas mosquinhas. O objetivo é conquistar alguns pontos percentuais para manter a competitividade em urna, não promover uma virada expressiva.

Eleição mais difícil para o PT

Apesar de manter força no Nordeste e desempenho em estados-chave, o governo encara um eleitorado mais fragmentado e menos propenso a revisões de posição. A leitura é de que a eleição de 2026 pode ser a mais desafiadora para o PT em nível nacional. Lula permanece com base estável, mas sem a margem de confiança simbólica de antes.

O Mapa de Risco vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 5h, no YouTube e em plataformas de podcast.

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