- PF aponta que Daniel Vorcaro pagou ao menos três viagens internacionais do senador Ciro Nogueira: Paris (abril de 2024), Nova York (maio de 2024) e Courchevel (janeiro de 2025).
- A investigação afirma que essas viagens tiveram hotéis, jantares e repasses de dinheiro financiados pelo banqueiro.
- A CNFL, empresa ligada ao irmão de Ciro Nogueira, foi suspensa; a PF sustenta que a empresa teria sido criada para lavar dinheiro e repassar valores ao senador.
- Depósitos em dinheiro vivo somam 3,5 milhões em contas ligadas a Ciro Nogueira e à família, com apuração sobre a origem dos recursos.
- A PF avalia a delação premiada de Vorcaro; a defesa do senador nega financiamentos por Vorcaro e afirma que as despesas teriam sido pagas pelo próprio senador.
A Polícia Federal investiga a possibilidade de o banqueiro Daniel Vorcaro ter financiado ao menos três viagens internacionais do senador Ciro Nogueira, presidente do PP. A apuração envolve uso do mandato para atender interesses ligados ao Banco Master.
Segundo a PF, as viagens teriam ocorrido entre 2024 e 2025, com custos cobertos por Vorcaro. A investigação analisa mensagens, comprovantes de transferências e registros de deslocamentos. A ordem dos fatos segue a linha das evidências reunidas.
A PF aponta que a primeira viagem foi para Paris, em abril de 2024, com Nogueira aparecendo em foto da filha dele. Em maio de 2024, os dois viajaram a Nova York, com hospedagem em hotel de luxo e refeições em restaurantes de alto padrão. Todas as despesas seriam do banqueiro.
A terceira viagem identificada ocorreu em janeiro de 2025, para Courchevel, nos Alpes franceses. A PF afirma que Vorcaro pagou roupas de frio de Nogueira. O banqueiro e a namorada teriam registrado várias fotos na estação de esqui.
Intervenções legais e desdobramentos
Na quinta-feira, o ministro André Mendonça suspendeu as atividades da CNFL, empresa vinculada ao irmão de Nogueira, Raimundo Neto Nogueira, alvo de buscas. A filha do senador, Maria Eduarda Nogueira, também é listada como sócia.
A PF sustenta que a CNFL foi criada para lavar dinheiro ligado a Nogueira, recebendo depósitos de empresas do grupo Vorcaro. A empresa é apontada como veículo para repasses mensais de 300 mil a 500 mil reais ao senador, além de operações em dinheiro vivo.
A investigação também envolve depoimentos de Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, funcionário de Nogueira, que realizou 265 depósitos em dinheiro vivo em contas ligadas ao senador e à família. O total movimentado chega a 3,5 milhões de reais, com apuração sobre a origem dos recursos.
Defesa e resposta oficial
A defesa de Ciro Nogueira afirmou que Vorcaro nunca financiou viagens do senador ou da família. Também negou que Vorcaro tenha custeado despesas de Maria Eduarda Nogueira e disse que a passagem de Nova York foi paga pelo próprio senador.
O advogado de Nogueira negou qualquer relação entre Vorcaro e as contas da CNFL, afirmando que os depósitos referem-se a transações da loja de motos do sobrinho do senador, com comprovação documental e sem ligação com Vorcaro.
Nogueira emitiu nota dizendo que há uma tentativa de manchar sua honra. O senador afirmou que, em 2018, passou por processo semelhante e provou inocência mediante devido processo legal.
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