- Pressões do setor visam dificultar instalações de energias renováveis, incluindo a Micro e Minigeração Distribuída (MMGD) nos telhados de imóveis.
- O excedente de geração de MMGD, eólica e solar leva o Operador Nacional do Sistema Elétrico a cortes de energia (curtailment) para manter o equilíbrio entre carga e produção; em 2025, 20% da energia gerada foi cortada, resultando em prejuízo de R$ 6,5 bilhões.
- A MMGD já ultrapassou 39 GW e, no ritmo atual, deve chegar a 58 GW em 2029, mais de quatro vezes a potência da usina hidrelétrica Itaipu.
- A operação do sistema sofre com falta de planejamento e lenta expansão da infraestrutura; soluções como baterias, hidrogênio líquido ou hidrelétricas reversíveis existem, mas apresentam alto custo.
- A adoção de tais soluções depende de decisão política; desincentivar renováveis pode tornar o país mais vulnerável em um setor promissor.
O país enfrenta pressões contra energias renováveis que deixam o setor vulnerável, apesar do potencial promissor. A operação do sistema elétrico registra complicações não pela expansão das fontes, mas pela falta de planejamento e pela lentidão da infraestrutura.
Especialistas apontam que as Micro e Minigeração Distribuída MMGD, com geração nos telhados, geram excedentes que precisam de escoamento. O excedente se soma à energia de usinas eólicas e solares, obrigando o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS a cortar parte da geração para manter o equilíbrio entre carga e oferta.
Esses cortes, chamados curtailment, acabam desperdiçando energia. Estimativas da Volt Robics apontam que, em 2025, cerca de 20% da energia gerada no Brasil foi bloqueada por ajustes operacionais, resultando em prejuízo estimado em 6,5 bilhões de reais.
Contexto e impactos no sistema
A queda de preço dos painéis fotovoltaicos impulsionou a MMGD a superar 39 GW de potência instalada. Com o ritmo atual, a capacidade pode chegar a 58 GW em 2029, mais de quatro vezes a potência da usina de Itaipu, maior hidrelétrica do Brasil.
A dificuldade de gestão decorre principalmente da falta de planejamento estratégico para a expansão da infraestrutura do setor. Em vez de avanços coerentes, há sinais de atraso que fragilizam a integração de fontes limpas ao sistema.
Soluções em debate e custos
Uma opção discutida é o armazenamento de energia por meio de baterias conectadas a usinas solares e parques eólicos, mas o custo elevado é um entrave. Outra possibilidade é produzir hidrogênio líquido a partir do excedente energético, requerendo investimentos consideráveis. Hidrelétricas reversíveis também são citadas como alternativa para armazenar energia em demanda.
Essas propostas dependem de decisão política firme e planejamento de longo prazo. Desestimular investimentos em renováveis sob o pretexto de ajustes pontuais pode manter o Brasil vulnerável em um setor com grande potencial de crescimento.
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