- A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) elaborou relatório afirmando que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado, e não vítima de acidente de carro, conforme conclusão anterior da Comissão Nacional da Verdade (2014).
- O documento, com 114 itens, está em avaliação e deve ser votado no próximo encontro do órgão; foi assinado pela historiadora Maria Cecília Adão.
- Em 2013, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog apontou conspiração e atentado político como responsável pela morte de JK e de seu motorista, contrariamente ao que a CNV sustentou.
- O ex-vereador Gilberto Natalini, que conduziu investigações municipais, diz que o caso envolve conspiração e possível relação com a Operação Condor, com suposto aval dos Estados Unidos; ele afirma que houve justiça histórica.
- Entre as evidências citadas, destacam-se a chegada de um médico do general Golbery Couto e Silva dez minutos após o acidente, suposta retirada de pertences de JK no local e questionamentos sobre o veículo quanto a possível sabotagem.
A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) elaborou um relatório que aponta a morte de Juscelino Kubitschek como assassinato, e não acidente de carro, conforme conclusão anterior da Comissão Nacional da Verdade, em 2014. O documento, assinado pela historiadora Maria Cecília Adão, está em avaliação pelos conselheiros do órgão, com votação prevista para o próximo encontro.
A apuração soma 114 itens que embasam a tese de homicídio. Integrantes da CEMDP destacam que JK e dois outros líderes da época passaram a atuar de forma unida, buscando disputar o colégio eleitoral diante de pressões militares. Natalini afirma tratar o caso como conspiração ligada a interesses estrangeiros.
Em entrevista ao programa Hora H, o analista Pedro Venceslau informou ter ouvido Gilberto Natalini, ex-vereador de São Paulo que conduziu investigações na Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog. O ex-vereador descreveu o episódio como parte de uma operação maior, com possíveis vínculos à chamada Operação Condor.
Contexto e conjuntura histórica
O relatório aponta que, dez minutos após o suposto acidente, chegou ao local o médico do general Golbery Couto e Silva, cuja atuação é apresentada como pouco explicada pela narrativa oficial do caso. Segundo Natalini, esse médico teria retirado objetos de JK, entre eles diários do ex-presidente.
Questionamentos são levantados quanto ao tipo de veículo utilizado no acidente e a possibilidade de sabotagem. O cenário político da época envolvia a cassação de direitos políticos de Juscelino Kubitschek por cerca de dez anos, após o golpe de 1964, sob o argumento de pressionar opositores ao regime militar.
A narrativa central do estudo da CEMDP sustenta que a morte de JK se insere em um contexto de articulação entre líderes de oposição que buscavam consolidar uma alternância de poder, em meio a uma conjuntura de forte vigilância e censura.
Avaliação institucional e expectativas
O Ministério dos Direitos Humanos informou que o estudo está em processo de avaliação institucional. A expectativa é que a votação do relatório finalize a classificação da morte de JK como resultado de uma operação com possível aval de potências estrangeiras, com o objetivo de neutralizar oposição aos governos militares.
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