- Um novo relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos afirma que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar em 1976, contrariando a versão oficial de acidente automobilístico.
- O parecer é assinado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso, e será analisado pelos demais conselheiros da CEMDP.
- A deliberação dependeu de contato com as famílias e envolve mais de cinco mil páginas de documentos, com votação ainda pendente.
- A CEMDP, criada em 1995 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, atua para reconhecer mortos ou desaparecidos por motivos políticos entre 1961 e 1988 e localizar seus corpos.
- O governo brasileiro reabriu o caso em fevereiro do ano passado, com base em laudo do engenheiro Sergio Ejzenberg que contesta a teoria do acidente e aponta possibilidade de atentado ou sabotagem; o relatório atual utiliza esse laudo entre suas referências.
O ex-presidente Juscelino Kubitschek teria sido assassinado pela ditadura militar em 1976, segundo um novo relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). A peça contraria a versão vigente de acidente automobilístico que ainda embasa o caso. O documento é assinado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do processo na CEMDP, e será analisado pelos demais conselheiros do órgão.
A CEMDP informou que a votação sobre o relatório ocorrerá após contato com as famílias das vítimas. O colegiado aponta que o conteúdo já era público em parte, com referências ao Inquérito do Ministério Público Federal nº 1.30.008.000307/2013-79. O material completo soma mais de 5 mil páginas.
A CEMDP foi criada em 1995, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, para investigar mortes ou desaparecimentos por motivos políticos entre 1961 e 1988. O órgão atua com apoio técnico do Ministério dos Direitos Humanos e tem como objetivo localizar corpos e emitir pareceres sobre os requerimentos de familiares.
Em plena ditadura e no contexto da Operação Condor, Kubitschek morreu na Rodovia Presidente Dutra, acompanhado do motorista Geraldo Ribeiro. Enquanto a versão oficial atribuiu o incidente a um choque envolvendo um ônibus, com defesa de acidente, comissões estaduais defendem a hipótese de atentado político. Elementos apontam para a possibilidade de sabotagem mecânica, disparo ou envenenamento como fatores.
O governo federal reabriu o caso em fevereiro do ano passado, com base em laudo do engenheiro e perito Sergio Ejzenberg, contratado pelo Ministério Público Federal. O laudo, concluído em 2019, contesta análises anteriores que sustentavam a colisão com o ônibus. A perícia de Ejzenberg é uma das referências citadas pela relatora para fundamentar o relatório da CEMDP.
A CEMDP ressaltou o compromisso com o diálogo com as famílias, destacando que elas têm papel central na memória, na verdade e na justiça. O órgão não divulgou, até o momento, prazos para novas conclusões nem a eventual divulgação de elementos adicionais do relatório.
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