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Urna eletrônica completa 30 anos sem resolver paradoxo

Urnas eletrônicas completam trinta anos sem fraude reconhecida, mas 43% dos eleitores desconfiam, colocando em jogo a percepção de legitimidade democrática

A mascote "Pilili", inspirada na urna eletrônica, foi lançada pelo TSE para ser a "porta-voz da Justiça Eleitoral" nas Eleições 2026. (Foto: Ana Rodrigues / Secom / TSE)
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  • Em outubro, as urnas eletrônicas completam 30 anos de uso no Brasil, com histórico de ausência de fraude reconhecida até o momento.
  • Pesquisas apontam que 43% dos eleitores desconfiam das urnas, mantendo o ceticismo sobre o sistema e a democracia.
  • O episódio de fraude com votos em papel em 1994 acelerou a transição; testes em 1996 em 57 cidades deram certo e, em 2000, o sistema foi ampliado pelo país.
  • O Tribunal Superior Eleitoral sustenta a segurança do processo, com o Teste Público da Urna de 2025, o Teste de Confirmação de maio de 2026 e auditoria de código-fonte em 2025.
  • O boletim de urna e a zerésima são usados para transparência da apuração; o TSE lançou a mascote Pilili para comunicação, custo estimado em cerca de R$ 6 milhões.

Nas eleições gerais de outubro, o Brasil completará 30 anos desde a adoção das urnas eletrônicas. O sistema acumula três décadas sem registro oficial de fraude, embora parte do eleitorado permaneça cético.

A desconfiança é objeto de estudo: levantamento da Quaest, feito em fevereiro, aponta que 43% dos eleitores duvidam da integridade das urnas. O ceticismo, independentemente das explicações técnicas, preocupa pela ameaça à confiança no processo democrático.

Histórico da evolução

Em 1994, antes das urnas, houve uma sequência de fraudes que levou à anulação de eleições para deputados no Rio de Janeiro. Na época, o voto era em cédulas de papel e houve evidências de manipulação durante a apuração, com cédulas adulteradas e votação repetida.

A proposta de voto eletrônico já existia desde o primeiro Código Eleitoral de 1932, mas ganhou força após as fraudes de 1994. Em eleições municipais de 1996, 57 cidades testaram o modelo, e em 2000 o sistema passou a funcionar em todo o país, substituindo as contagens manuais.

Testes, auditorias e garantias

O Tribunal Superior Eleitoral assegura a segurança do sistema. Em 2025, ocorreu o Teste Público da Urna, com 35 planos de ataque simulados e três achados relevantes. O Teste de Confirmação, previsto para maio de 2026, repetirá as avaliações com foco no aperfeiçoamento.

Em outubro de 2025, o código-fonte das urnas passou por auditoria, incluindo sistemas de criptografia e mídias de transmissão. Antes das eleições de 2026, o código atualizado recebe assinatura digital e é arquivado em mídias seguras.

O boletim de urna e a zerésima constam como principais garantias de exatidão. A zerésima impede votos antecipados, enquanto o boletim de urna permite a auditoria local por fiscais de partidos. Não há registro de discrepâncias entre boletim e totalização.

Desinformação e comunicação institucional

Especialistas dizem que perda de confiança pode impactar a saúde democrática, mesmo com controles técnicos. O tema ganhou contornos políticos e estratégias de comunicação da Justiça Eleitoral.

Em 2024, a Justiça inaugurou a mascote Pilili, símbolo das Eleições 2026, criada para ampliar o diálogo com o público. O custo total do projeto, segundo veículos de imprensa, ficou em torno de 6 milhões de reais. Pilili é apresentada como neutra e defensora da democracia, sem preferência partidária.

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