- Berlim, no distrito de Marzahn-Hellersdorf, registra violência e ódio ligados ao extremismo de direita, com neonazistas tentando impor domínio nas ruas e adesivos em locais públicos.
- Jovens relatam ocorrências de racismo e ataques motivados por neonazismo, incluindo hostilidade a pessoas com cabelo colorido ou vestimenta associada à esquerda.
- Ameaças a LGBTQ+ e imigrantes são destacadas pela comunidade; há menos espaços seguros na região em comparação com outros bairros, segundo o vice-prefeito Gordon Lemm.
- Casos incluem insultos a uma moradoraAfegã e registros de ódio em supermercados, metrô e ruas; há adesivos com mensagens como “Alemanha para os alemães” nas vias.
- Iniciativas locais, como o Café sobre rodas da pedagoga Barbara Jungnickel, oferecem espaço de diálogo para conter o ódio desde 2013.
O distrito de Marzahn-Hellersdorf, em Berlim, enfrenta atuação de grupos neonazistas entre jovens. O tema ganha atenção pública à medida que relatos de violência, racismo e intimidação aumentam no bairro. Organizações juvenis denunciam o perigo e tentam ampliar vozes de vítimas.
Anne, moradora de 30 anos, narra hostilidades por se posicionar contra a violência de direita. Ela afirma que símbolos e adesivos manifestam a suposta hegemonia de grupos extremistas nas ruas do bairro. O relato ilustra o cotidiano de confrontos.
Segundo Anne, muitos afetam-se pelo racismo diário; pessoas são ameaçadas por estilos ou escolhas consideradas de esquerda. Assaltos com motivação neonazista também são citados como parte do cenário local.
Marzahn-Hellersdorf é descrito como um polo de contrastes na capital: o maior conjunto de prédios pré-fabricados da Europa convive com áreas verdes e famílias. Ainda assim, vulnerabilidade social marca o bairro.
O distrito fica a alguns minutos de Berlim central, mas o centro parece distante para muitos moradores, que vivem uma realidade de exclusão econômica e social.
Símbolos neonazistas surgem em vias bem cuidadas. Duas organizações identificadas por autoridades, Deutsche Jugend voran e Jung und Stark, atuam no entorno, principalmente pela rede social e no enfrentamento a comunidades LGBTQ+.
Durante a apuração, testemunhos apontam que mensagens de ódio já chegam às ruas, com adesivos e saudações associadas a ideologias extremistas. Eventos que promovem inclusão também são alvo de hostilidade.
Ameaças a pessoas LGBTQ+ e a imigrantes aparecem como parte do panorama. Vítimas relatam receio de se expor e de ser reconhecidas pelo visto externo ou pela aparência.
Gordon Lemm, vice-prefeito do distrito, afirma que jovens queer encontram menos espaços seguros na região. Ele descreve o ambiente como menos aberto a comunidades que não correspondem ao cotidiano dominante.
Casos locais envolvem famílias de origem no Irã e Afeganistão, com incidentes de insultos e agressões verbais. Moradores relatam que a resistência vem de iniciativas comunitárias e religiosas.
Barbara Jungnickel atua como mediadora comunitária, com um espaço semanal chamado Café sobre rodas. O objetivo é promover diálogo sem direcionar as conversas a um lado específico.
A iniciativa surgiu em 2013, após a inauguração de um abrigo para refugiados. Conflitos com extremistas de direita mobilizaram a vizinhança a buscar alternativas de convivência.
O café comunitário funciona como ponto de encontro e demonstra que parte da população não aceita a dominância de grupos extremistas. A cidade acompanha o esforço de resistência local.
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