- A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos aponta no parecer que Juscelino Kubitschek pode ter sido vítima de atentado, e não de acidente, na colisão na Via Dutra em 22 de agosto de 1976.
- O relatório, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, afirma que houve uma “ação externa” que tirou o carro da pista e provocou a batida com uma carreta no sentido contrário.
- A versão oficial do regime militar, de acidente, não é corroborada pela documentação analisada pela relatora; o motorista do ônibus envolvido no acidente sempre contestou as conclusões da polícia.
- A neta de JK, Anna Cristina Kubitschek, diz que a reabertura do debate é passo importante para a verdade histórica e o reconhecimento de possíveis ações de Estado.
- O parecer, apresentado em abril, ainda será analisado e votado pela comissão especial, que discute a abertura de investigações com base em documentos de comissões da Verdade estaduais e do MPF.
A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) encaminhou à família de Juscelino Kubitschek um parecer sobre as investigações da morte do ex-presidente. O documento contesta a tese oficial de acidente, sugerindo a hipótese de atentado durante o percurso na Via Dutra, em 22 de agosto de 1976.
Segundo o parecer em análise pelos demais conselheiros, houve uma ação externa que fez o veículo sair da pista e colidir com uma carreta no sentido contrário. O inquérito policial da época atribuiu a perda de controle do motorista ao momento em que tentava ultrapassar um ônibus da Viação Cometa, ligando as capitais.
Para a relatora, Maria Cecília Adão, a documentação não sustenta a versão da ditadura sobre o acidente. O motorista do ônibus negou reiteradamente as conclusões policiais e enfrentou processo judicial pelo suposto papel na tragédia, mas foi absolvido por falta de provas.
Anna Cristina Kubitschek, neta de JK e presidente do Memorial Juscelino Kubitschek, afirmou que a família nunca aderiu à narrativa oficial. A dirigente destacou que a reabertura do debate representa um passo importante para a verdade histórica do Brasil.
A família considera essencial que o Brasil enfrente sua história com transparência. Caso a CEMDP conclua que JK foi vítima de um atentado político, o reconhecimento seria histórico não apenas para a memória do ex-presidente, mas para as vítimas da violência estatal do período.
O relatório apresentado em 1º de abril baseia-se em documentos das comissões estaduais da Verdade de Minas Gerais e de São Paulo, além do inquérito do Ministério Público Federal aberto em 2013. A divulgação de novos elementos depende da conclusão da deliberação da comissão.
A sessão de análise e votação do parecer ainda não tem data. A CEMDP informou que a documentação é extensa, com mais de 5 mil páginas, e que o andamento envolve o contato prévio com as famílias antes de qualquer decisão.
O pedido de reabertura das investigações foi impulsionado por Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e pelo jornalista Ivo Patarra, após a reinstalação da comissão, autorizada por Lula em julho de 2024. A CEMDP funciona no âmbito do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e reúne sete membros.
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